Paladar

Improviso e boa pasta

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Improviso e boa pasta

16 abril 2014 | 21:50 por Luiz Américo Camargo

Leandro Victório, o chef e proprietário do La Cucina Di Casa, raramente é visto circulando por entre as mesas de seu restaurante. Em geral, está perto do fogão, comandando os pedidos, finalizando os pratos. Se questionado sobre suas propostas e conceitos, ele não faz muito mistério nem apresenta discursos elaborados. Responde que é neto de italianos e faz os pratos que gosta de comer, ainda que, no passado tenha trabalhado com outras modalidades culinárias.

O Cucina Di Casa funciona há seis anos num imóvel charmoso, com poucos lugares e notórios improvisos na solução dos espaços. Dei azar (ou melhor, tive sorte, para poder fazer o alerta) e fiz uma das visitas num dia de chuva: há uma ou outra goteira, e uns pingos d’água passam pelo toldo que cobre o salão. A simplicidade do ambiente se reflete num cardápio com perfil de trattoria, onde a casalinga e receitas um pouco mais clássicas convivem sem atritos. Sua clientela é majoritariamente local, moradores do Campo Belo, um bairro cada vez mais autossuficiente em restaurantes, bares, cafés.

La Cucina Di Casa. O doméstico e o clássico convivendo sem atritos. FOTO: Rafael Arbex/Estadão

Da focaccia e das pastas do couvert (R$ 9) aos doces, tudo é produzido no restaurante. Entretanto, para simplificar a abordagem, eu diria que a melhor pedida são as massas frescas, preparadas diariamente pelo chef. Não que carnes e sobremesas sejam ruins, apenas não são nada de especial. Mas a pasta, tanto a longa como as versões recheadas, é tratada com mais esmero do que em muitos estabelecimentos mais bem estruturados. E me refiro não apenas ao sabor, mas ao cuidado no fechamento, na atenção à cocção.

Sendo então um bom endereço para massas, minha recomendação é a seguinte: peça mais de uma opção e compartilhe. O prato pode eventualmente vir já porcionado da cozinha, ou pode ser dividido pelos próprios clientes, o que vai depender do movimento do dia. E repare que o cuoco se sai bem tanto num elementar agnolotti de mussarela de búfala ao molho de tomate (R$ 41) como num mais matreiro ravióli de alcachofra e ricota (R$ 43) ao molho de limão – este, sabiamente delicado.

Já a lasanha verde (R$ 43), com massa de espinafre e molho à bolonhesa, chegou à mesa talvez um pouco mais queimada do que deveria – mas, pela leveza, nem de longe lembra as versões cantineiras do prato. E, porventura, se tiver fettuccine com ragu de coelho (uma sugestão do dia, R$ 45), não deixe de pedir, pois o molho é farto e equilibrado. Só tome cuidado com alguns fragmentos de ossos, escondidos entre as tenras fibras de carne. Seria melhor que não estivessem lá, claro. Mas é um risco pequeno, convenhamos, diante do benefício.

Por que este restaurante?
Pela cozinha italiana simples e caprichada.

Vale?
O executivo custa R$ 45, o que nem é barato para a região. Pelo cardápio, uma refeição completa sai em torno de R$ 100, sem bebidas. A carta de vinhos é limitada, mas é possível levar sua garrafa (R$ 30 a rolha). Boa dica para quem está no Campo Belo e em bairros vizinhos. Se você vem de mais longe, faça a visita num dia de menos trânsito.

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 17/4/2014

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