Paladar

Jun, com sashimi e sem balcão

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Jun, com sashimi e sem balcão

28 janeiro 2015 | 14:34 por Luiz Américo Camargo

O Junji, aberto há quase dois meses, não lembra muito sua casa-mãe, o restaurante Jun Sakamoto. Não tem balcão; serve sashimi; atende mais de 200 pessoas por dia, almoço e jantar; oferece bons niguiris a partir de R$ 10 o par; e tem um serviço que pende muito mais para o estilo boa-praça do que para a solenidade.

O Junji, que funciona no Iguatemi, no ponto que pertenceu à Petrossian, parece a matriz. Oferece peixes bem escolhidos; é zeloso na apresentação e recomenda que o shoyu seja aplicado sobre o sushi (há pincéis sobre as mesas); e trabalha com preços que, em alguns casos, requerem a atenção do comensal (caso das entradas, pequeninas, e dos teishokus, os PFs nipônicos, cujo valor médio é de R$ 70).

Calor. Junji capricha na cozinha quente, em especial os tempurás. FOTOS: Rafael Arbex/Estadão

Expliquei ou confundi? Jogos de contrários à parte, o mais essencial sobre o novo estabelecimento do sushiman mais famoso da cidade é o fato de ele levar a culinária de inspiração japonesa (chamemos assim…) de shopping a um nível mais digno de qualidade, tanto de matéria-prima como de execução. Sob o comando direto do chef José Francisco de Araújo, o Junji se garante na cozinha fria e capricha ainda nas sugestões quentes, tempurás em especial.

Em minhas três visitas, reparando nas mesas ao lado, o salmão ainda predomina entre os pedidos, na forma de sashimi, sushi e temaki. Eu sei que se trata de um hábito, de um condicionamento cultural, ainda mais dentro de um território (os centros de compras) onde o peixe rosado sempre foi o rei. Mas não precisaria. O Junji trabalha com pescados sazonais, levando em conta as variações de sabor, textura e teor de gordura. Uma lista não muito extensa, mas bem composta, com opções como olho-de-boi, carapau, beijupirá, robalo. E, com exceção da vieira (e de ótimas ostras), não usa moluscos, por escolha própria.

Os preços dos niguiris, dentro do cenário paulistano, são atraentes: variam entre R$ 10 e R$ 20 o par (o misto, com nove unidades, sai por R$ 70). O sashimi, com cinco peças, em fatias mais para finas, custa a partir de R$ 14. Os bolinhos de arroz são mais para miúdos; os grãos têm boa liga e sabor equilibrado, sem pender demais para o doce, sem puxar para a acidez excessiva. Os peixes chegam à mesa em cortes certeiros, embora obviamente sem o rigor do Jun Sakamoto. Aspectos que, por si só, inserem o restaurante naquela categoria que eu chamo “sushi de combate” – bem feito e por cifras amigáveis. Por outro lado, creio que a casa entorta o conceito do trivial teishoku ao oferecê-lo numa faixa de preços entre R$ 55 e R$ 95. Suas alternativas vão do sushi ao teppan, sempre na companhia de arroz, missoshiru, gyoza e lámen frio.

Por que este restaurante?
É uma novidade, e a casa mais acessível do chef Jun Sakamoto.

Vale?
Na média, gasta-se em torno de R$ 100, sem bebidas. A conta pode variar bastante, no entanto, conforme sua curiosidade com entrantes e pratos especiais, com a escolha do item principal do teishoku e com o entusiasmo com cerveja, saquê e afins (caros e com pouca variedade). Pelo resultado geral, vale.

SERVIÇO | Junji
Onde: Av. Brig. Faria Lima, 2.232 (Shop. Iguatemi, piso térreo)
Tel.: 3813-0820
Quando: 12h/15h e 19h/23h (6ª, até 0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/23h)
Ciclovia: Av. Brig. Faria Lima.
Metrô: Faria Lima (1,3 km)

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