Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Justiça seja feita

01 outubro 2010 | 14:32 por Luiz Américo Camargo

Espero não macular a memória do sábio Platão citando-o num tema meio chinfrim. Mas é só para ilustrar uma das buscas deste blog – à sua maneira, o ‘Eu só queria…’ é uma procura constante pelo bom, pelo belo, pelo justo.

Por exemplo: tenho tratado aqui muito do assunto preço, das contas que andam sendo cobradas em São Paulo, principalmente numa certa faixa da restauração que se pretende chique mas que apenas emula o chique. Ainda que eu aponte a existência de vários exageros, não quer dizer que defendo só o barato. Defendo o justo, pois há uma diferença entre preço e valor.

Explicando mais concretamente, então. Passei pelo Mori, restaurante japonês com várias unidades – fui em Perdizes. É meu dever circular por vários tipos de restaurante, em várias faixas e estilos. A proposta da casa, qual é? Ser uma opção popular, uma alternativa especialmente de almoço. É barato? Sim? Por R$ 20, R$ 30, R$ 35, dependendo do ‘pacote’, come-se bastante. É gostoso? Muita gente aprecia. Mas, bom, eu não consegui comer desta vez: arroz, peixe, gostos, consistências… Não deu.

Se você come mal, na minha opinião, é sempre caro. Agora, façamos um arrazoado. A cozinha japonesa depende essencialmente do produto, especialmente no caso dos crus. É possível obter matéria-prima de qualidade cobrando ‘baratinho’? É difícil. Há lugares que, escolhendo seus ingredientes com habilidade, sevindo com sabedoria, até chegam numa equação muito satisfatória. Mas a maioria, os que adotam o estilo ‘combinadões’ e ‘festivais’, em geral, fica devendo.

Paguei pouco, comi pouco. Foi uma boa experiência? Claro que não?

A questão é esta, e mais uma vez peço perdão por remexer na tumba de Platão: o bom, o belo, o justo. Não o barato.

Já paguei contas altíssimas e saí feliz. Já comi pratos ótimos e baratos, e saí surpreso. Mas o tal médio que se arvora em top de linha e cobra como gente grande, o barato que é ruim, e toda essa turma, estes sim, são difíceis de engolir. São caros, pura e simplesmente? Não. Fundamentalmente eles não valem o que pedem.

O justo,  o justo. Entendam isso.

Ficou com água na boca?