Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

LA TOMATE

22 dezembro 2008 | 15:43 por admin

Publicado no GUIA do Estadão 22/08/2008

O chef: Jefferson Rueda agora cuida sozinho do Pomodori e inaugura esta nova casa. O restaurante: acolhedor, possui um sotaque afrancesado. No cardápio, fettuccine com vieiras

Parede a parede com o Pomodori, Jefferson Rueda acaba de abrir o La Tomate, casa que o chef apresenta como seu bistrô gastronômico. As fronteiras entre os restaurantes vão além de físicas. É como se a esquina das ruas Renato Paes de Barros e Prof. Tamandaré de Toledo recriasse os limites de um microscópico país encravado no Itaim, onde de um lado o acento fosse italiano e, do outro, francês. Apenas Rueda tem salvo-conduto para transitar livremente pelos dois lados, supervisionando as duas cozinhas, o que ele faz por uma passagem interna.

O chef experimenta seu maior desafio desde a abertura do Pomodori, em 2003. Com a saída de Rodrigo Martins, que agora comanda a rede Vino!, Rueda precisa manter a qualidade de seus pratos, só que convertendo o Pomodori em um restaurante mais cordial. Ao mesmo tempo, tem a missão de se confirmar um cozinheiro com técnica e ecletismo suficientes para honrar o termo ‘bistronomique’ atrelado ao nome do acolhedor La Tomate. A chamada ‘bistronomia’ surgiu na França, a partir dos modernos bistrôs dirigidos por jovens chefs, onde se pratica uma cozinha de autor sem o preço e a pompa da ‘haute cuisine’.

Voltando agora à zona de fronteira, de fato não haveria como separar um restaurante do outro, ainda que não ocupassem uma construção contígua. O La Tomate é filho do Pomodori, o que se vê na apresentação dos pratos, na mesma pesquisa de sabor. E na competência na hora de servir entradas como o ovo frito com batata, morcilla e pão (R$ 18) e o carpaccio de magret de pato com foie gras (R$ 25). E pratos como um filé ao béarnaise (R$ 42) e o fettuccine de açafrão com vieiras, tomates e ovas de massagô (R$ 39), uma massa bem executada, de sabor instigante. Como a casa-mãe, o tomate aparece na sobremesa: vira tatin, com granité de maçã (R$ 19).

As porções não são grandes, certamente pensadas para uma degustação, ou no mínimo um menu-completo. Aí o La Tomate foge do conceito. Sem vinho, por cabeça, a conta passa dos R$ 100, fácil. Em Paris, bistronômicos de carteirinha como o Le Comptoir e o Le Chateaubriand propõem menus inteiros de jantar por volta de € 40 (R$ 100). Raciocínios simplistas à parte, ainda que nossa cidade ande com custos nas alturas, a vida – produtos, aluguéis, salários, etc. – ainda continua sendo mais cara em solo parisiense. (Luiz Américo Camargo)

Onde: R. Prof.Tamandaré de Toledo 25, Itaim Bibi, 3071-1312 (30 lug.).

Quando: 19h/0h (6ª e sáb., 19h/1h). Quanto: Cc.: V, M e A. Estac.: R$ 12.

Ficou com água na boca?