Paladar

Longe dos Jardins e dos preços altos

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Longe dos Jardins e dos preços altos

24 julho 2013 | 20:17 por Luiz Américo Camargo

Qual é maior cadeia de restaurantes do Brasil? Errou se respondeu Ráscal ou Fogo de Chão. É a rede involuntária de gerentes e maîtres que, nos últimos anos, saíram das fileiras do Gero e do Parigi para inaugurar os próprios negócios, com serviço e cardápio francamente inspirados no estilo do Grupo Fasano.

Brincadeiras à parte (e eu não podia perder a piada), acho que está começando a tomar forma uma nova leva de casas comandadas por profissionais egressos do Gero e de seus descendentes. Uma geração que segue usando a Itália como referência. Mas que, diferentemente da onda de cinco ou dez anos atrás, foge de luxos e de preços altos.

Casa Santo Antônio. Itália como referência, mas menu não só italiano. FOTO: Luiz Américo Camargo/Estadão

É nesse diapasão que vibram novidades como o Ella., com seu menu sintético e algo autoral. E principalmente a Casa Santo Antônio, inaugurada há um mês na zona sul. Fundada por cinco sócios, entre eles três ex-funcionários do Grupo Fasano, a Santo Antônio ocupa um belo imóvel dos anos 1940 na Granja Julieta, região que, aos poucos, vai ficando bem servida de restaurantes.

Sandro Aires, o responsável pela cozinha (e também proprietário), elaborou um cardápio conciso, destacando não apenas sugestões de acento italiano. Ele serve uma bem feita porção de grissini no couvert (R$ 7) e mostra equilíbrio em entradas como o creme de abóbora com tortelli de pecorino (R$ 15) e em massas como o nhoque à bolonhesa (R$ 29) – numa versão menos ortodoxa do molho, com carne bovina e cogumelos.

Os pratos principais, se não arrebatam, são honestos. Gostei mais do contrafilé à provençal (R$ 38), bem marcado por fora, úmido por dentro, com batatas e cogumelos salteados (embora as batatas estivessem mais para cozidas que para sautées). E da paleta de cordeiro (R$ 39) assada e enrolada como uma porchetta, tenra, sobre polenta mole – um prato simples, porém melhor que vários similares mais caros.

O atendimento é acolhedor e, no geral, atento. Mas a brigada se perde um pouco nos momentos de salão cheio. O bom programa só se abala na sobremesa, bem aquém dos pratos. Ainda há trabalho duro de doçaria a ser feito em sugestões como a torta rústica de maçã (R$ 15), em especial pelo sabor e pela textura da massa; e, principalmente, na torta de chocolate e avelã (R$ 15), doce demais e comprometida pela qualidade da massa folhada.

Já a carta de vinhos não é extensa, mas apresenta várias opções para doses individuais (em copo ou em garrafas de 187 ml). A casa permite que o cliente leve seu vinho e cobra R$ 50 pela rolha. Porém, caso o visitante consuma algum dos rótulos disponíveis em taça antes de abrir a própria garrafa, a taxa é negociada, porventura até abonada. É um critério interessante.

Por que este restaurante?
É uma opção de boa relação preço/qualidade na zona sul.

Vale?
Mesmo pedindo à la carte, fora do menu executivo (R$ 40), é possível fazer uma refeição completa abaixo dos R$ 100. Vale – especialmente para quem tem acesso fácil à Granja Julieta.

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