Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Mais uma parrilla em Higienópolis

17 junho 2010 | 17:07 por Luiz Américo Camargo

Sem fazer grande alarde, o 348 Parrilla Porteña inaugurou uma filial na Rua Bahia. A discrição, contudo, não impediu que a vizinhança descobrisse rapidamente o novo ponto. O fato de mais uma grande churrascaria abrir em Higienópolis seria a prova de que há uma demanda reprimida para esse tipo de estabelecimento no bairro? Não sei se chega a tanto. Mas as steak houses parecem ser bem-vindas por ali, como comprova a boa aceitação do El Tranvía, já nas bordas de Santa Cecília. Ou o sucesso do Pobre Juan, dos lados do Pacaembu. Ou ainda a longevidade do Sujinho – que, mesmo num outro estilo de restauração, prossegue como o decano das churrasqueiras nas bandas da Consolação.

A nova parrilla pertence ao mesmo dono da matriz da Vila Olímpia, o portenho Eduardo Santalla. O proprietário bem que tentou manter o mesmo número de endereço, 348, referência à famosa “Corrientes, 348” do tango A Media Luz, mas não deu certo. Ficou mesmo com o 364, ocupando um casarão espaçoso, que acomoda 150 pessoas e dispõe até de área para a recreação de crianças. Nos fundos há um bar para espera, mas é um tanto apertado; quem tiver sorte, até consegue cadeira (eu contei oito assentos). Os demais, aguardam de pé ou, se tanto, se escoram no balcão.

O cardápio é praticamente igual ao do restaurante original, com várias opções de petiscos feitos na grelha, saladas e cortes preparados na brasa. E os itens mais pedidos, a julgar pelo que as bandejas dos garçons conduzem para lá e para cá, continuam sendo sugestões como o vacio (o que chamamos de fraldão por aqui), o matambrito de entrada (a capa da costela), o chorizo argentino e as papas tasso (batatas ao murro fatiadas e fritas). Sem contar as empanadas, de massa leve e quebradiça, quase como uma massa folhada.

Na página do menu dedicada às carnes, importadas da Argentina, os preços assustam: por volta dos R$ 90 (para os bifes ancho e de chorizo, para o vacio e outros mais). A explicação é que as peças servem três pessoas, com 600g de carne. Há também meias-porções, custando em torno de R$ 50. Na dúvida, prefira compartilhar os cortes maiores, se possível em grupos grandes. Imagine que mesmo um naco de 200g no prato esfria rapidamente. E aquela carne que, na primeira garfada, está quente, dourada, úmida, vai se transformando a cada bocado – e, garanto, não para melhor. Bifões individuais, a meu ver, parecem cada vez mais anacrônicos.

O serviço ainda troca um pouco as bolas, mas compensa os deslizes com simpatia e atenção. Mais claudicante é a performance na grelha. Em dois cortes provados (fraldão e bife de chorizo, ambos de características bem diferentes entre si), a carne não veio conforme foi pedida. Ou estava sangrenta demais, ou passada além do desejável. Ponto, é importante ressaltar, não é sorte, é técnica.

Mas, ao que parece, o 348 – um bom restaurante de carnes, ainda que, a meu ver, não integre o primeiro escalão de steak houses da cidade- vai ter muitas oportunidades para aprimorar seus assados em Higienópolis. Mesmo tendo aberto à boca miúda, a casa tem trabalhado cheia, com direito a fila no fim de semana.

348 Parrilla Porteña
R. Bahia, 364, Higienópolis, 4306-0348. 12h/15h30 e 19h/23h30 (5ª e 6ª até 0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h; fecha 2ª
Cc.: A e V. Cardápio: cortes argentinos preparados na grelha

Ficou com água na boca?