Paladar

Menos haute, mais cuisine

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Menos haute, mais cuisine

30 dezembro 2014 | 21:55 por Luiz Américo Camargo

Se fosse para comparar a fase inaugural, em 2011, com o momento atual não seria exagero dizer que o La Cocotte é outro restaurante. A fachada meio sisuda e pouco convidativa dos primeiros tempos deu lugar a uma entrada quase escancarada para a Alameda Ministro Rocha Azevedo, com algumas mesas logo na chegada, beirando a calçada.

O salão ficou mais descontraído, com atmosfera mais condizente com a proposta de bistrô. E a cozinha, que é o que mais interessa, fez avanços consideráveis.

FOTO: Divulgação

O chef Erick Jacquin tornou-se consultor da casa há oito meses. O cardápio foi refeito, com perceptível redução de preços. E a lista de entradas e pratos (incluindo sanduíches) está mais próxima do estilo bistrotière, com receitas generosas sob o comando de Flávio Santoro. Os sabores ficaram mais definidos, as apresentações, menos pretensiosas, as porções, bem dimensionadas.

A fórmula do almoço executivo começa por uma caprichada salada, com vegetais viçosos e tempero sem timidez, e segue com principais como o peixe do dia com ratatouille (se você der sorte, será o olhete ao forno). No menu principal, há sugestões que são pura diversão, como os ovos fritos com gema mole, bacon e tomate confitado (R$ 25). Ou que revelam equilíbrio, como a terrine de coelho com foie gras de pato (R$ 48) e o filé mignon de porco com batata-doce assada (R$ 51).

Algumas preparações tradicionais, que ajudaram a fazer a fama de Erick Jacquin no cenário paulistano também estão ali, como o steak tartare (R$ 49) com salada e batatas fritas, bem cortado e condimentado; e a île flotante, sobremesa-assinatura do chef (sem mencionar uma das melhores musses de chocolate dos últimos tempos, aerada e consistente, ambas R$ 21). O conjunto das visitas só não foi melhor pelo ponto do hambúrguer de fraldinha (R$ 36), muito além do desejado (pena, já que o sanduíche é bem composto e as batatas fritas são gostosas). E pela sauce béarnaise insípida servida com êntrecote black angus (R$ 68).

O serviço, por fim, é atento e camarada, sem as formalidades da primeira encarnação do restaurante. Parece que o La Cocotte, antes meio perdido entre uma abordagem ora de sotaque provençal ora seduzida pelos acenos da cuisine mais clássica, enfim, escolheu um lado.

Por que este restaurante?
Pela evolução da cozinha, com clássicos de bistrô, sob a supervisão do chef Erick Jacquin.

Vale?
O menu executivo traz opções interessantes e custa R$ 49,70, com entrada, prato e sobremesa. Pedindo pela carta (e até compartilhando alguns itens), uma refeição sai em torno de R$ 100, sem bebidas. Para quem gosta de variar os vinhos, há uma máquina Enomatic. Vale para conhecer (ou para atestar a nova fase do restaurante).

SERVIÇO – La Cocotte
Al. Min. Rocha Azevedo, 1.153, Jd. Paulista
Tel.: 3081-0568
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª, até 1h; sáb., 12h/17h e 19h/1h; dom., 12h/17h)
Cc.: todos.
Estac.: Manob. R$ 20.
Ciclorrota: R. Oscar Freire. Metrô: Consolação (1,2 km)

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