Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Meta fiscal

28 março 2009 | 13:22 por Luiz Américo Camargo

Se vou a um restaurante para avaliá-lo, obviamente preciso provar várias coisas – o que, por vezes, deixa a conta um pouco mais alta. Mas em visitas mais corriqueiras, procuro me conter, dividindo mais porções, pedindo com inteligência, sem desperdício. Assim, economizo dinheiro e calorias. Meio como brincadeira, até pensei em estabelecer uma espécie de auto-responsabilidade fiscal, um teto de despesas (que varia conforme o tipo de restaurante). Em tempos de crise, é de bom senso ter metas de gastos.

Mas o fato é que anda difícil comer por menos de R$ 100 por cabeça em muitas casas da cidade. Não é pouco dinheiro. Ontem à noite fui ao Freddy (R. Pedroso Alvarenga, 1.170) com minha mulher e um casal de amigos. A comida estava bem feita, o serviço é cortês, o cliente pode até levar vinho sem cobrança de rolha. Tudo certo. Mas, no final, pagamos R$ 112 por pessoa, contando couvert, duas entradas diferentes (moules e paté maison, este em porção dupla, partilhada entre três), dois pratos (compartilhamos um chateaubriand ao béarnaise e um chateaubriand ao mostarda) e duas sobremesas (igualmente divididas, profiteroles e tartelette de maçã).
Tomamos águas e cafés. Ou seja, rachamos quase tudo, mas não conseguimos ficar abaixo dos R$ 100.

A austeridade continua. Numa próxima visita ao decano bistrô, nos restringiremos ao que vale a pena. O paté e os filés com suas fritas estavam muito bons (contudo, não nos perguntaram como queríamos a carne; ela veio além do ponto). O couvert, antigão, estilo cenoura-pepino-azeitona-torradas-com-manteiga, não compensa. As sobremesas? Talvez também possamos ficar sem elas. E aí sim, quem sabe chegamos na conta certa.

Ficou com água na boca?