Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Métricas

16 outubro 2011 | 20:45 por Luiz Américo Camargo

Em geral, quando o assunto é comida, a maioria costuma pensar em calorias. Ou às vezes nos dígitos impressos nas contas. Ou, para os fanáticos por termômetros, até na temperatura dos pratos. Mas quero falar rapidamente de outros números, de outros parâmetros. Decibeis, para ser mais exato.

Tenho achado os restaurantes mais barulhentos do que nunca. E, em especial, tenho visto (ouvido, na verdade) muita gente gritando, em vez de conversar. Não tenho como ser preciso e científico neste caso, mas apenas impressionista. Também nunca levei nenhum medidor para atestar minha tese. Só que ando ficando incomodado.

Será que estamos expostos a mais barulho do que nunca, o que vai empurrando nossos limites e nos obrigando a nos comunicar em altos brados? Será que as pessoas andam tão ansiosas em tornar públicas suas ideias e questões (culpa da cultura das redes sociais, dos blogs, dos compartilhamentos de tudo o que é arquivo?) que já não conseguem só dialogar?

Não me considerem rabugento. Na média, acho que sou tolerante e paciente, ao menos tento ser. E nem acho tão ruim que o papo da mesa ao lado chegue ao meu pedaço: às vezes pode até ser divertido. Só que eu estou dando um azar extremo, e sentando perto sempre de gente que fala muito alto e, coincidentemente, sempre em tom professoral. Pessoas de timbre de voz marcante, projeção vocal avantajada, além de orgulhosos do próprio saber, que ficam explicando o mundo para seus companheiros de mesa. (No almoço de hoje, foi uma aula sobre gestão de funcionários, políticas de motivação etc).

Tem acontecido com vocês?

Nada contra a animação. Aliás, turmas muito animadas costumam mais ir para bares. Estou falando é de um jeito muito peculiar de se comunicar, que não é mais ‘person to person’. É um espécie de síndrome de palco e plateia.

Então, para concluir. Eu não sei se o caos urbano estragou nossa audição; ou se a acústica dos restaurantes anda mal dimensionada; ou se apenas ficamos menos educados. Mas… por que será que andam gritando?

Hein? Perdão, podem repetir?

 

Ficou com água na boca?