Paladar

Não leve a sério (no bom sentido)

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Não leve a sério (no bom sentido)

07 agosto 2013 | 22:59 por Luiz Américo Camargo

Se eu não tivesse certeza de que o novo Fisherman’s Table ocupa de fato o nº 554 da R. Pedroso Alvarenga, não acreditaria que se trata do mesmo ponto que, por 16 anos, abrigou o singelo Dolce Villa. A mudança foi profunda não só na arquitetura, mas na atmosfera. Com seus ares modernos, urbanamente rústicos, o recém-inaugurado estabelecimento tem identidades diferentes ao longo do dia. No almoço, é mais tranquilo. À noite, o clima é de pré-balada, ou lounge, como prefere a casa – e o serviço, na média eficiente, fica um tanto rarefeito.

O Fisherman’s Table é novo projeto dos coreano-americanos Ryan Kim e Jae Kim, donos do quase vizinho Butcher’s Market. Sua proposta mistura uma base japonesa a toques chineses e coreanos, tudo isso passado por um filtro ocidental. Mas antes que esse tipo de descrição fique parecendo mais resenha de álbum de world music do que crítica de restaurante, é preciso dizer que se trata de comida bem feita. E tratada com, digamos, bom humor, mas atenção aos detalhes, como molhos e acompanhamentos. Sobre as mesas, há talheres e hashi. Se você achar que basta usar as mãos, também pode.

Fisherman’s Table. Base japonesa com toques chineses e coreanos. FOTO: Epitácio Pessoa/Estadão

Embora a primeira seção do cardápio traga uma lista de “appetizers”, não há regra aparente de como começa ou termina uma refeição. Tanto melhor. Iniciei as visitas pelos petiscos. E me diverti (talvez seja o melhor verbo) com os king crabs (R$ 15), coxinhas de siri e catupiry; com os ebi shinjo, bolinhos de camarão empanados com massa wonton (R$ 23); e especialmente com os fish buns (R$ 18), bolinhos de peixe e camarão servidos com o pãozinho chinês feitos no vapor. Os sushis (R$ 39) também não seguem cânones: são 12 unidades, com niguiris redondos e condimentos variados.

Falando sobre os pratos de resistência, há um bom lâmen frio com pesto de shissô (shiso gomadare noodle, R$ 33) e uma nem tão tenra, embora de bom sabor, barriga de porco cozida (buta kakuni, R$ 31) com amido de cará, que cai bem ao lado de guarnições como espinafre com molho de gergelim (gomae, R$ 11). Um camarão frito de cocção precisa, quase cru no centro, com molho remotamente picante (R$ 58, wasabi cream shrimp). E ainda um apetitoso e caro “cachorro-quente” de lagosta, o hot dog pan (R$ 53), ao estilo dos lobsters rolls dos EUA (da Nova Inglaterra, em especial).

Por fim, as sobremesas. As sugestões são três e não empolgaram, confesso. Abóbora assada com creme de mascarpone (R$ 15); sorvete de chá-verde com gelatina de tofu e pasta de feijão (R$ 18); raspadinha de calda de chá-verde com leite condensado, moti e pasta de feijão (R$15). São extrovertidas na concepção, mas introvertidas na expressão.

Por que este restaurante?
É uma novidade interessante. Mais lúdica do que com pretensões gastronômicas.

Vale?
Na média, os principais custam de R$ 30 e R$ 40 (alguns, mais de R$ 50). As bebidas, caras, e os petiscos (porções pequenas) demandam mais atenção. Vale para conhecer.

SERVIÇO – Fisherman’s Table
R. Pedroso Alvarenga, 554, Itaim Bibi
Tel.: 3167-3605
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (sáb., 12h/0h; dom., 12h/23h)
Cc.: todos
Estac.: Manob. R$ 15

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 8/8/2013

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