Paladar

No Bravin, o clássico sem o óbvio

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

No Bravin, o clássico sem o óbvio

22 janeiro 2014 | 21:00 por Luiz Américo Camargo

Eu estava numa mesa próxima, não tinha como não escutar. Até que, num dado momento, passei a me esforçar para ouvir melhor. Três amigas investigavam o menu de almoço do restaurante Bravin (a casa vem abrindo também ao meio-dia, desde novembro). Percorriam item por item, conversavam entre si, consultavam a garçonete. Até que levantaram, pegaram as bolsas: “Desculpe, a gente não se animou. Esse cardápio é muito diferente”. E saíram.

Não estou aqui para censurá-las, cada um come o que quiser. A bem da verdade, agradeço: forneceram um ingrediente e tanto para quem escreve. Contudo, o diferente em questão era o seguinte. Tagliatelle com ragu de pescoço de cordeiro (muito gostoso, a propósito); espaguete com sardinha (com massa rigorosamente al dente, além do peixe refogado, acompanhado por pimenta biquinho); carré de porco com chucrute, purê de maçã e morcilla (um conjunto potente, mas equilibrado); além de língua ao molho madeira, miolo à milanesa com creme de milho, entre outros. Um repertório de orientação clássica, quando não trivial. Mas certamente não alinhado com alguns padrões.

Estilo próprio. Bravin vem se consolidando sem se curvar ao padrão. FOTO: JB Neto/Estadão

Aberto há dois anos pela sommelière Daniela Bravin, o restaurante vem se consolidando com um estilo idiossincrásico. Num ambiente charmoso, de ar boêmio, a proprietária dá atenção especial aos vinhos, com muitas opções servidas em taça, sempre variáveis, inclusive naturais e biodinâmicos. Abre espaço para queijos e embutidos artesanais. Investe num receituário inspirado por standards, sem assinatura de chef, privilegiando preparações substanciosas, miúdos, cortes desprezados. Em suma, tem a disposição, como assinalaram as desconfiadas (quase) comensais do início do texto, de propor experiências menos óbvias.

O almoço de segunda a quinta apresenta três possibilidades. O “menu executivo”, a R$ 37, é composto por entradas como sardinha em escabeche e tartar de peixe com beterraba; pelo prato do dia (na segunda, por exemplo, é contrafilé a cavalo, mandioquinha rústica e couve); e por uma sobremesa (como manjar de coco e rabanada com creme inglês). Já os “clássicos” (que lembram a fórmula da Tappo, onde Daniela trabalhou) contêm opções de preço variável, como o referido carré de porco (R$ 55) e o risoto com ragu de costela (R$ 46), acrescidos de entrada e sobremesa. E o “comercial”, a R$ 29, para quem quer apenas o principal.

À noite, além de alguns pratos do almoço, o cardápio inclui sugestões já conhecidas, como o trio de linguiças artesanais (R$ 28) e a bochecha de boi (R$ 63), além de uma caprichada tábua de queijos (R$ 59). Domingo, muda tudo: o clima é de churrascada, com todas as sugestões do dia feitas na grelha. O Bravin, enfim, só faz o que lhe dá na telha.

Por que este restaurante?
Pelo novo almoço. Pelos pratos com personalidade. Pela boa política de vinhos.

Vale?
No almoço, os preços começam em R$ 29 (com taças de vinho a R$ 17). À noite, os principais ficam entre R$ 50 e R$ 60. A sommelière também serve metade da garrafa, caso o cliente não queira 750 ml. Vale.

SERVIÇO – Bravin
R. Mato Grosso, 154, Higienópolis
Tel.: 2659-2525
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (5ª a sáb., até 1h30; 6ª, só jantar; dom., 13h/17h)
Cc.: todos
Manob.: não tem

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 23/1/2014

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