Paladar

No Ema, acomode-se no balcão

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

No Ema, acomode-se no balcão

28 maio 2014 | 21:00 por Luiz Américo Camargo

O salão, ainda que não seja grande, abriga umas poucas mesas. Elas estão lá para quem não abre mão de uma refeição mais convencional. Contudo, para captar melhor a essência do Ema é preciso se acomodar no balcão, que é de onde se acompanha a dinâmica da cozinha. E, principalmente, porque é ali que se apreende a atmosfera de um estabelecimento que mistura de maneira charmosa a configuração de um bar e o artesanato de um restaurante gastronômico.

O Ema é o projeto mais intimista e autoral, por assim dizer, de Renata Vanzetto, a chef do Marakuthai. Junto de Aline Frey, ela comanda – com firmeza, quase sisudez – uma brigada enxuta, devotada a um cardápio de feição brasileira, com referências litorâneas em particular (a matriz do Marakuthai fica em Ilhabela, onde Renata cresceu). A lista de sugestões cabe numa página e muda mensalmente, conforme os ingredientes da temporada, ainda que algumas opções sejam mais estáveis. Eu provei vários pratos, tanto à la carte como pelo menu de oito tempos (R$ 148). E defendo que a degustação, que flui sem maiores percalços, condiz melhor com o conjunto do programa. Só acho que a jornada ficaria mais completa com uma oferta menos limitada de bebidas, vinhos em especial.

Ambiente do Ema. Intimista como um bar, com cozinha caiçara. FOTO: J.F. Diório/Estadão

Gostei muito da casquinha de siri crocante (R$ 25), com crosta de flocos de arroz; do quibe cru de atum com coalhada de shoyu (R$ 28); da textura e das notas surpreendentes do ceviche de pinha (disponível só na degustação); do camarão na moranga com farofa de castanha de caju (R$ 66). Todos com sabores bem definidos, com apresentações atraentes – e sem aspirações vanguardistas. Mas penso que itens como o polvo à vinagrete (R$ 28) e a costela assada (R$ 59) incorrem na mesma questão: valorizam mais o periférico do que o ingrediente principal. No caso do molusco, macio e delicado, os escassos pedaços quase se perdem entre tomates, ervas, chips; já a carne bovina, apetitosamente assada por oito horas, parece pouco íntima do purê de mandioquinha com romã.

Como a casa abre de terça a quinta e só comporta 27 pessoas, o mais prudente é reservar com antecedência. E, para quem se acomodar perto da cozinha, é útil saber que a coifa não tem dado conta de todos os vapores e fumaças, com probabilidade de que você saia levando na roupa um pouco dos aromas do jantar. O próprio restaurante nem tem oferecido aos clientes o assento mais próximo da boqueta, ao menos enquanto o defeito não se resolver. Uma pena, pois, no que diz respeito ao cenário, aquele é o lugar mais bem situado. Nem acho que seja um problemão: entre a vista privilegiada e o risco da defumação, em minhas visitas optei pela primeira, sem traumas. Mas deixo registrado o aviso.

Por que este restaurante?
Pela cozinha de inspiração brasileira/caiçara, moderna, sem pirotecnias.

Vale?
À la carte, da entrada à sobremesa, gastam-se entre R$ 100 e R$ 150 por pessoa, sem bebidas. Com mais tempo e apetite, melhor pedir a degustação (R$ 148), que abarca itens do próprio cardápio. Vale experimentar.

SERVIÇO – Ema
R. da Consolação, 2.902, Jd. Paulista
Tel.: 98232-7677
Horário de funcionamento: 20h/0h (só funciona de 3ª a 5ª)
Cc.: todos

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 29/5/2014

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