Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

North Grill, versão chique

18 novembro 2010 | 22:13 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 18/11/2010

O recém-inaugurado North Grill da Vila Nova Conceição, ainda que guarde muitas semelhanças com a matriz, é um outro restaurante. Seu novo posicionamento o aproxima mais do pelotão de elite das steak houses paulistanas do que do estilo aconchegante/familiar que predomina na unidade do Shopping Frei Caneca, que funciona há seis anos.

Falando mais diretamente, o North Grill está mais chique, ainda que sem afetações. Sua frequência agora não é o público sortido da região da Paulista, mas os moradores da Vila Nova Conceição – um bairro que, diga-se, está em plena efervescência de novos restaurantes, de diversas modalidades. Mas a mudança vai além da atmosfera.

A nova filial tem também uma carta de vinhos maior, com exemplares mais caros, e incluiu novos itens em seu cardápio, alguns deles com preços igualmente maiores. O responsável pela direção também é o sócio Antonio Mendes, que começou sua trajetória com os grelhados ainda muito jovem, no Rubaiyat dos tempos da Rua Vieira de Carvalho, no Centro.

Vários cortes são fornecidos pelo expert Sylvio Lazzarini, do Varanda Grill – como os de origem australiana e os de gado wagyu. Mas há um aspecto que considero particularmente interessante: há uma seção do menu especialmente dedicada às meias-porções. O que, a meu ver, não é uma opção relativa apenas à quantidade, mas sim uma questão de sabedoria gastronômica.

Carne grelhada é para se comer muito quente, com a gordura derretida ao máximo. O que é mais fácil de se fazer com uma porção de 175 gramas do que com uma de 350 gramas.

Quem comanda a churrasqueira é o assador Manuel Novaes (à maneira do que acontece no Frei Caneca, o ambiente da grelha é fechado, protegido por uma parede de vidro; e não há fumaça no salão), que maneja temperaturas e pontos com respeitável rigor, e sabe valorizar, usando a linguagem das brasas, as devidas diferenças entre os cortes

O asado de tira (R$ 32, meia-porção), por exemplo, chegou à mesa quentíssimo, suculento, mas com boa resistência à mordida, como convém à carne da costela – e é preciso lembrar que churrasco não deve ser apenas macio. É desejável que experimentemos fibras, sabores e gradientes de umidade diferentes.

Já o rib eye australiano (R$ 65, porção inteira) é tenro e, quase à maneira de um “bife de Kobe”, inunda a boca a cada mordida. Foi servido estritamente ao ponto, com uma capa de gordura muito bem churrasqueada.

Entre os acompanhamentos, gostei particularmente das batatas-suflê (R$ 18). Entretanto, ainda que esta guarnição esteja cada vez mais difundida por restaurantes de carne de vários níveis, é difícil achá-las crocantes e saborosas – e, aqui, elas são. Mas os pães do couvert (R$ 13), por outro lado, poderiam de fato ser melhores e mais frescos. Afinal, ainda que as steak houses invistam progressivamente em sua evolução como restaurantes, elas ainda são, inevitavelmente, território de comilões. E pão de queijo bom e servido quente, pelo menos, faz parte do programa.

ONDE FICA

North Grill
R. Jacques Félix, 365, V. Nova Conceição, 3044-4885. 12h/15h30 e 19h/0h (sáb., 12h/1h; dom., 12h/18h; fecha 2ª). Cc.: todos.