Paladar

O bistrô e sua cuisine trivial

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O bistrô e sua cuisine trivial

13 novembro 2013 | 14:14 por Luiz Américo Camargo

Existe um fator que há de proteger o Bistrot de Paris da pecha de, digamos, programa temático: é sua boa comida, inspirada na cuisine bistrotière. O restaurante, que nasceu há quatro anos como Crêpe de Paris, ocupa os fundos de uma “villa”, a San Pietro, que fica na Rua Augusta. E sua ambientação emula os charmosos restaurantes da Rive Gauche parisiense, com direito a mesas na entrada e no terraço, além de música de acordeonista no jantar. Mas, quer saber? O que importa a atmosfera cenográfica diante de um bom patê, de um entrecôte à point, de batatas salteadas como se deve?

À la Rive Gauche. Comida salva Bistrot de Paris de ser temático. FOTO: Clayton de Souza/Estadão

O restaurante pertence a três sócios franceses: Pierre Murcia, criador do Crêpe de Paris; o executivo Cyrille Schroeder; e o chef Alain Poletto. Nos últimos meses, além do nome, foram mudadas também as instalações de salão e cozinha, e os planos do trio são ambiciosos. Começando pelo bistrô, a ideia é abrir futuramente cafés e lojas com pratos prontos, para consumir em casa – uma especialidade de Poletto que, desde a saída da operação do Dalva e Dito, em 2009, é consultor do Pão de Açúcar.

No novo cardápio do Bistrot de Paris, o chef dispensou as reinterpretações. E montou uma carta influenciada pela tradição e por receitas familiares, com preços razoáveis. Seus pratos são simples, feitos com bons produtos, e equilibrados de sabor.

O que se percebe de autoral se limita mais ao aporte técnico (a defumação, por exemplo, é feita à la maison) do que ao receituário. De resto, predominam os cânones, servidos em clima cordial, com atendimento ainda um pouco titubeante.
Gostei muito do patê de campagne (R$ 16), da qualidade do salmão defumado (R$ 38), do entrecôte com molho de mostarda, acompanhado por ótimas batatas (R$ 59). E do apurado cassoulet (R$ 44). Mas me diverti em especial com a brandade de bacalhau (R$ 38), uma das melhores que provei ultimamente, precisa no tempero, na textura. E com o confit de pato (R$ 68), que tantos fazem, mas poucos acertam – talvez por complicarem. O que me leva a pensar como é bom se reencontrar com pratos clássicos que correspondam a seus nomes. Explico melhor.

Tenho me deparado por aí com tantas carbonaras que, de fato, não o são; tantos steak tartares meio doidões; tantos carpaccios de tudo, que se torna um alento ver um standard executado com rigor e pelo prazer de comer.

Não digo por conservadorismo, mas por observar que a maioria das releituras não convence. O dom da criação, reconheçamos, é para poucos. E eu tendo a achar que a singularidade se afirma muito mais pela capacidade de, vá lá, cozinhar com alma, do que pela pretensão de parecer inventivo.

Por que este restaurante?
Pela boa cozinha de bistrô, sob o comando do chef Alain Poletto.

Vale?
O menu executivo (R$ 38) inclui principais como o cassoulet e a brandade. Pelo cardápio, a refeição completa sai por volta de R$ 100, sem bebidas. Vale.

SERVIÇO – Bistrot de Paris
R. Augusta, 2.542, loja 12, Jd. Paulista
Tel: 3063-1675
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª, até 0h30; sáb., 12h/16h e 19h/0h30; dom., 12h/16h; fecha 2ª)
Cc.: todos
Estac.: Manob. R$ 20 (só à noite)

Ficou com água na boca?