Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O Chi Fu, em versão palacete

21 maio 2009 | 22:35 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 21/5/2009

Chi fu. Talvez você já tenha ouvido alguma menção a este restaurante da Liberdade, provavelmente ressaltando um (ou mais) dos três aspectos a seguir: a comida farta e por vezes surpreendente; o desleixo das instalações; a dificuldade de comunicação com os funcionários. Ir até lá, portanto, era uma espécie de aventura.
Pois bem. Desde o início do ano, um desses traços característicos foi totalmente transformado. Depois de uma ampla reforma, o restaurante – o da Praça Carlos Gomes – aumentou de tamanho, mudou a aparência, ficou mais limpo, ganhou uma decoração um tanto exagerada. Enfim, virou um outro empreendimento e, segundo a casa informa, a filial da Rua Barão de Iguape foi vendida, passando para o controle de outra família chinesa.

Se o ambiente está mais arrumado, o serviço também está diferente. As garçonetes tentam agora uma abordagem mais profissional e, em relação ao que era, até se esforçam para entender a língua portuguesa. Mas não que isso aconteça sem acidentes. Por exemplo. Ao ouvir a pergunta “o que você sugere para começar?”, uma delas apanhou o menu e mostrou alguns pratos: “costelinha no sal, camarão no sal…” Comer sal, captou? Peça ajuda então das funcionárias mais jovens – em geral, elas falam um pouco melhor.

Agora, o cardápio. São 201 itens, com muitas variedades de pratos de camarão, ostra, porco, etc. Repare que você vai encontrar um mesmo ingrediente grafado de diferentes formas e nem todos os pratos serão bem explicados no que diz respeito ao que vem na receita ou ao preparo. Nesse momento, é importante se orientar também observando o que pedem os clientes chineses (ainda a maioria). Gostando do aspecto, pergunte do que se trata.

Em seis pratos provados, algumas coisas foram constatadas. Uma é que a cozinha é irregular, acerta melhor em alguns procedimentos, escorrega em outros. Outra: ir ao Chi Fu depois de já conhecê-lo melhor é sempre menos impactante. Mas divertido.

O melhor da rodada, por incrível que pareça, foi o agrião chinês no alho, fresco, crocante. A sopa de vinagre e o camarão agridoce também estavam gostosos. Já a costela de porco ao molho de laranja veio à mesa quase sem sal, difícil de mastigar. O arroz com carne de porco e camarão, gorduroso, e a enguia com pimentões (de tão picante, sentia-se só a textura do peixe) também não empolgaram. As porções, é bom avisar, continuam imensas. E a quantidade paquidérmica de comida descrita acima, contando bebidas e serviço, saiu por R$ 46 por cabeça, em um grupo de quatro.

Chi Fu
Pça. Carlos Gomes, 200, Liberdade, 3112-1698
11h/16h e 18h/22h.
Cartões: não aceita.
Cardápio: 200 itens no menu, com especialidades ao estilo cantonês.
Avaliação: a aventura é divertida. Vá de turma, para dividir vários pratos. Pois algumas coisas são boas, outras nem tanto.