Paladar

O cru e o cru (e só alguns cozidos)

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O cru e o cru (e só alguns cozidos)

13 fevereiro 2013 | 21:15 por Luiz Américo Camargo

Erick Jacquin, o chef do La Brasserie, resolveu se divertir com a comida. Seu recém-inaugurado Tartar & Co trata de maneira descontraída, quase lúdica, a ideia dos pratos com ingredientes crus e finamente picados. Uma irreverência que se reflete no cardápio e se estende ao ambiente – cuja atmosfera, dependendo do horário, vai da lanchonete-chique ao estilo quase-balada, com DJ e tudo.

Pop. Clima do Tartar & Co pode ir da lanchonete-chique ao dining club. FOTO: Divulgação

Jacquin já flertou com o pop e com os dining clubs. Há poucos anos, tentou uma vertente mais casual de bistrô, no finado Le Buteque. E foi consultor do também extinto Buddha Bar. Já o Tartar & Co, em Pinheiros, parece ter um conceito mais bem acabado, diferenciando-se da proposta mais gastronômica do La Brasserie. No dia a dia, a cozinha da nova casa é comandada por Felipe Macambyra.

Os principais itens do cardápio evocam quase uma orgia de crudités. A maior parte gira em torno do tartar, em pratos, sanduíches, tira-gostos. O tradicional, de carne bovina (R$ 38), é sutilmente condimentado (acho até que um pouco mais de potência não faria mal) e vem com batatas fritas. O de atum (R$ 44) vem com salada e é cortado com esmero, valorizando a mordida. O vegetariano (R$ 29) apresenta legumes em remoulade de pupunha.

Mas as referências ficam mesmo bagunçadas, no bom sentido, é na seção de petiscos e que tais. Os shots (R$ 8), servidos em copinhos, trazem salmão com espuma de moqueca e atum com musse de coco. Os minipastéis (montados com massa pré-frita, R$ 22) têm recheio de tartar bovino e compõem um jogo interessante de texturas – o que acontece também com os temakis (R$ 29, três unidades), igualmente de carne.

Um espírito bem-humorado, enfim, que se propaga pelos drinques, pelas sobremesas (tartar de profiteroles) e passa pelos vinhos. A carta, a propósito, poderia ser melhor, embora apresente uma bem bolada divisão por faixas de preço, com garrafas a partir de R$ 54. Louve-se ainda a adesão à água em jarra e ao couvert básico de R$ 4,50 (só seria mais adequado não usar pão amanhecido).

Há alternativas além do cru, obviamente. Como a terrine de campagne (R$ 24), de sabor um tanto acanhado. E o cuscuz paulista (R$ 24), que ainda carece de mais tempero e de um leve ardor, como o chef fazia no finado Le Buteque. Em contrapartida, sugestões quentes como a fraldinha grelhada (R$ 36) com batatas rústicas e o fricassé de lotte (R$ 39), funcionaram bem.

Resumindo o programa, não dá para ir ao Tartar & Co buscando os sabores e o aparato do La Brasserie. Trata-se de outra proposta, com considerável dose de originalidade – e, até por isso, ainda em consolidação. O que se nota inclusive no serviço, que é simpático mas desliza no timing e na ansiedade. Agora, considerando que este é um restaurante dedicado ao tartar, e tendo em vista a capacidade do chef, é legítimo esperar da nova casa as melhores batatas fritas possíveis. Ainda não são. Mas evoluíram bastante, entre a primeira e a terceira visita.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade interessante.

Vale?
Dá para se divertir e comer abaixo de R$ 100 (à noite, é barulhento). Vale.

SERVIÇO – Tartar & Co
Av. Pedroso de Morais, 1.003, Pinheiros
Tel.: 3031-1020
Horário de funcionamento: 12h/15h30 e 18h/0h30 (6ª, até 1h30; sáb., 12h/1h30; dom., 12h/17h30)
Cc.: todos

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