Paladar

O Fasano olha para o sul

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O Fasano olha para o sul

15 janeiro 2014 | 21:30 por Luiz Américo Camargo

Não fosse a tarimba de anfitrião do gerente Mazinho, a espera na Trattoria seria mais complicada. Aberto no fim de novembro, o novo empreendimento de Rogério Fasano vem lotando diariamente. Não que seja um problema aguardar no pequeno bar da entrada. Mas é melhor quando chega o momento de se acomodar no belo salão criado por Isay Weinfeld. Um espaço aconchegante, decorado com flâmulas e camisas de clubes do futebol italiano, e, ao mesmo tempo, sóbrio. Quase um contraponto terreno, em escala humana, para o impactante prédio que o abriga, o Pátio Victor Malzoni.

É verdade que o serviço ainda não flutua como o da matriz. Nem flui como o do Gero, com sua informalidade polida, tão clonada no mercado. É ainda um pouco intermitente, embora já tenha a marca de acolhimento e fidalguia da escola Fasano. Indo da sala para a cozinha, a nova casa se dedica a um repertório influenciado por Roma e pela Itália do sul. Responsável pelo cardápio, o chef Luca Gozzani buscou inspiração nos standards, com sutis toques autorais. Contudo, me parece que a referida trattoria, para além do nome, diz respeito acima de tudo à linha gastronômica (mais casalinga, menos cucina raffinata). O preço e o aparato, convenhamos, lembram mais um ristorante.

Ficou com água na boca?

Amplo. Salão da Trattoria, novo restaurante do grupo Fasano, é decorado com camisas de clubes do futebol italiano. FOTO: Clayton de Souza/Estadão

A refeição começa com entradas como o gnudi (R$ 35), conhecido também como malfatti, um nhoque – de origem nortista, a propósito – feito de ricota e espinafre, ao molho de manteiga e sálvia; e com a berinjela à parmigiana (R$ 39), saborosa e sem o peso excessivo com que a maioria a prepara. E prossegue com sugestões de paste asciutte como o bucatini cacio e pepe (R$ 64), preciso no queijo pecorino e algo tímido na pimenta-do-reino; o espaguete à carbonara (R$ 61), com notas longinquamente adocicadas por conta do guanciale; um aromático linguine ao vôngole (R$ 64); e o bucatini all’ amatriciana (R$ 59), a menos empolgante das sugestões, com tomate demais e pancetta de menos. Provei também algumas carnes, como o polpetone (R$ 69), assado no forno e envolvido num molho bem mais equilibrado – segundo o maître, o melhor é comê-lo de colher. E a paleta de cordeiro ao forno (R$ 84), muito macia, num encorpado molho do assado.

As sobremesas, por fim, são conduzidas até os comensais num clássico carrello dei dolci – que, neste caso, não abriga apenas especialidades sulistas, mas também do norte. Gostei do babá ao rum (R$ 23), apesar de preferir a textura e o sabor do doce servido no Gero (são receitas diferentes). Duro mesmo é pensar que o serviço de valet (cada vez mais caro na cidade) custa os mesmos R$ 25 cobrados pela reconfortante torta della nonna, com massa frolla e crème pâtissiére com limão.

Por que este restaurante?
Porque é a nova casa de uma das grandes grifes gastronômicas do Brasil.

Vale?
Sem bebida, a refeição do couvert à sobremesa fica entre R$ 150 e R$ 180/cabeça (com exceção das massas, as porções são pequenas). Vale conhecer, pelo conjunto do programa – sabendo que, apesar do nome, não é bem uma trattoria. No geral, um bom programa.

SERVIÇO – Trattoria
Av. Brig. Faria Lima, 3.477 (no Edifício Pátio Victor Malzoni)
Tel.: 3167-3322
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª e sáb., 12h/16h e 19h/1h; fecha dom.)
Cc.: todos
Manob.: R$ 25

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 16/1/2014

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