Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

O que está escrito aqui?

03 abril 2013 | 00:50 por Luiz Américo Camargo

Vamos supor que eu escrevesse este post usando uma fonte da família dita gótica (a Ardenwood, por exemplo, um clássico medieval). Aplicasse ainda itálicos, negritos e outras firulas mais. Reduzisse a corpo 7. Sabe o que você faria? Largaria a leitura na hora e iria embora.

Legibilidade, convenhamos é fundamental. Um tema espinhoso, especialmente se discutido no ambiente jornalístico, ou no publicitário. Parece criar uma espécie de antagonismo entre criativos e pragmáticos – quando não deveria ser necessariamente assim. O duro é quando os excessos, o encantamento com os recursos gráficos, a falta de bom senso, o mau gosto, chegam aos cardápios. E, frequentemente, cai na nossa mão uma peça quase indecifrável: a fonte é incompreensível, não há contraste entre letra e fundo, a diagramação é meio doida… A comida pode até soar interessante. Mas, e para escolher? Só mesmo pedindo ajuda à brigada de salão – quando ela mesma não está confusa.

Será que cardápios cheios de efeitos especiais e difíceis de ler são só deficiência gráfica? Ou apenas vontade de deixar a comida mais chique? Será que um editor de arte consegue melhorar um prato? Se é difícil de entender, será que vai ser bom de comer?

 

Ficou com água na boca?