Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Olha a água!

06 setembro 2010 | 08:46 por Luiz Américo Camargo

Parece mesquinharia ficar discutindo sobre a água servida nos restaurantes. Mas, vá lá, eu acho que é um tema. É caro, as garrafas estão cada vez menores etc etc.

Já pude discorrer algumas vezes sobre a obsessão de algumas casas em ‘vender’ água mineral. O garçom enche seu copo a todo instante, depois já vem com outra garrafinha aberta e assim vai. Bom, tenho resolvido esse problema informando aos atendentes que eu mesmo controlo meu consumo. Inclusive em lugares mais formais, onde o padrão é não deixar as coisas na mesa. Mas eu quebro o protocolo e peço: ‘por favor, pode colocar a água aqui, do meu lado? Eu mesmo reponho’. E, na média, tem funcionado.

Aqui e ali, tenho visto iniciativas cordiais como incluir a água no couvert (como no prosaico Zéffiro, recém-aberto na Bela Vista, sobre o qual falei em 3/9). Pois não é simpático ganhar uma jarrinha assim que os pães chegam à mesa? E, quem quiser mineral, de garrafa, com marca, que peça à parte.

Porém, é uma pena que a grande maioria das casas ainda persista com as tais garrafinhas – que parecem cada vez menores. Por que não 1 litro (ou 750 ml), como na Europa ou nos EUA? Já vi muitos estrangeiros reclamarem a respeito. Lembrei em especial da escritora anglo-libanesa Anissa Helou, que esteve aqui em 2009 para o nosso evento Paladar – Cozinha do Brasil. Fomos a vários lugares da cidade, de casas étnicas simples à alta gastronomia, e ela se entusiasmou com a diversidade da nossa restauração. Só tinha uma coisa que ela não entendia: ‘mas por que essas garrafas de água tão pequenas…?’.

Não vou aqui entrar em questões de rentabilidade ou de políticas de venda dos nossos restaurantes – e talvez a resposta para Anissa esteja aí. Mas eu só queria concluir rearfirmando: por boa comida, por gastronomia, a gente paga; e sai satisfeito, mesmo quando é caro, desde que o retorno tenha sido muito bom; duro, mesmo, é torrar dinheiro com aguinhas, valets e outros periféricos da refeição… isso é que irrita.

Bom, mas da mesma forma que, aqui e ali, alguns restaurantes começam a propor suas jarrinhas com a água da casa, quem sabe uma hora alguém se anima e institui a água de um litro sobre a mesa? Seria mais um avanço.

Ficou com água na boca?