Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Olhe para a esquerda

23 fevereiro 2012 | 10:24 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 23/2/2012

Eu sei que o que vou exprimir é um raciocínio que se aplica mais a motoristas do que a pedestres. Mas talvez ajude a explicar uma certa aura de esconderijo – pela quase invisibilidade – que envolve a Osteria del Pettirosso. É que o restaurante fica bem no fim da Al. Lorena, um trecho onde você não tem esperança de encontrar mais nada, onde a única expectativa, quem sabe, seja a de conseguir uma brecha no mar de carros que seguem pela Av. Rebouças. Mas ele está lá, à esquerda (cuidado ao olhar, se estiver ao volante), há quase cinco anos.

Gradualmente, a trattoria vem passando por dois movimentos distintos, como se fossem rotação e translação. Um, no sentido de refinar a sua cozinha, o que não é sinônimo de sofisticar, mas de aprimorar um conceito. Outro, na afinação de um cardápio, que é cada vez mais romano, ou, pelo menos, inspirado no Lácio; e cada vez menos genericamente italiano. Não fui feliz em outras visitas, em anos anteriores. Mas acho que a fase atual é boa.

Comandado pelo cuoco romano Marco Renzetti e por sua mulher, Érika Andrade, responsável pelo salão, o restaurante demonstra uma rara preocupação (e satisfação) com o artesanato da cozinha. Estou falando daquele trabalhoso processo que envolve fazer o pão, as massas, os embutidos, os molhos, o sorvete… Uma atenção com o “à minuta”, com o autêntico, que, por si só, renderia uma boa história. Mas que não faria sentido se a comida não fosse gostosa. Em resumo, parece que a boa intenção entrou em sintonia com o bom resultado.

Os pratos da Osteria del Pettirosso têm porcionamento adequado e sabedoria no uso do sal, que nunca é excessivo. Mostram delicadeza, mas sem abrir mão do sabor e de uma saudável rusticidade. Uma característica que acompanha a refeição, de ponta a ponta, seja em entradas, como a polenta ao molho spuntature (R$ 24,50, com tomate, costela e linguiça suínas) e a porção de suppli (R$ 16,50), ou em pratos, como a porchetta à romana (R$ 54) e o bacalhau à romana (R$ 59). E transparece em especial em massas como o tonnarelli – num corte mais grosso – cacio e pepe (R$ 45), clássico romano muito pouco feito por aqui. E que pouquíssimos preparam direito.

Da mesma forma que não tem sido comum nos restaurantes da cidade encontrar sorvetes de frutas com a qualidade dos que são servidos pelo chef Renzetti. Como o de atemoia, por exemplo, feito numa máquina Frix Air (é gelato, não sorbetto, pois leva creme).

Por que este restaurante? Porque, aos cinco anos de vida, a casa parece ter chegado a um equilíbrio: comida honesta, serviço amável e bem informado sobre o cardápio.

Vale? No almoço da semana, tem executivo a R$ 44,50. À noite, há menus entre R$ 57 e R$ 110. À la carte, sem vinho, um repasto completo sai em torno de R$ 100. Vale.

Osteria del Pettirosso – Al. Lorena, 2.155, Jd. Paulista, 3062.5338

Ficou com água na boca?