Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Os italianos continuam chegando

24 maio 2012 | 14:22 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 24/5/2012

Na coluna de hoje, ao estilo “peça um, leve três”, a primeira observação é: há em curso uma troca de dentição, digamos, dos restaurantes italianos da cidade. Um processo que começou há uns poucos anos e se acentuou de 2011 para cá – por enquanto, mais no sentido da quantidade e diversidade do que da qualidade. A nova fornada de estabelecimentos, se não configura uma “escola”, ao menos já percebeu que não existem apenas dois jeitos paulistanos de sonhar a Itália: ou a cantinona, ou o estilo do Grupo Fasano. Aqui, segue um trio de casas ainda recentes, abertas nos últimos meses.

La Madonnina – Abriu há menos de dois meses na Vila Nova Conceição e talvez seja o mais bonito dos restaurantes de Roberto Ravioli, do Empório Ravioli e do Ravioli Cucina Casalinga. O salão principal valoriza a luz natural, a varanda é bastante agradável, as mesas são confortáveis. O cardápio, à maneira do que o chef já faz em suas outras casas, se inspira na cucina do norte, com entradas entre R$ 20 e R$ 30 e pratos, em sua maioria, entre R$ 40 e R$ 50.
A cozinha se sai bem em sugestões mais encorpadas, como o stinco de leitão com batatas rústicas, a dobradinha (saborosa e com feijões brancos al dente) e a porchetta. Gostei menos das massas, especialmente no que diz respeito ao cozimento, algo além do desejável. E senti falta de leveza no nhoque ao (bom) molho de linguiça. O serviço, embora simpático e expedito, bateu o recorde de tentativa de venda de vinho: três abordagens diferentes, em coisa de um minuto.

Pecorino – A matriz deste misto de bar e trattoria fica nos Jardins. Mas a filial, inaugurada há cinco meses na Vila Nova Conceição, me parece funcionar melhor. Seu cardápio abrange antepastos, petiscos, bruschette, e não muitos pratos, simples e adequados para refeições sem grandes expectativas. Porções de sabor equilibrado (a maioria em torno dos R$ 15), como a caponata de berinjela e o atum em conserva; sanduíches como o de bife à milanesa (R$ 24); e pratos como o trofie al pesto (R$ 29), com, vá lá, mais molho do que deveria, são, no fim das contas uma pedida honesta.

Bottega – Este pequeno restaurante abriu há duas semanas, na R. Pe. João Manuel, onde era o Falafa. Há algumas coisas boas, mas predomina uma certa confusão. A casa propõe um “contínuo”, espécie de rodízio onde pratos e porções vão chegando seguidamente. Pode custar R$ 38 (com massa, risoto, guarnições) ou R$ 48 (com adição de frango, carne ou peixe). Na prática, a sucessão de pratos acaba sendo muito atropelada. O que acaba ofuscando até opções razoáveis como o frango assado ou o risoto de ossobuco. O jeito é romper as regras e pedir mais calma, mais pausas. Ou só perguntar o que está disponível no dia e selecionar um ou outro item. Há um claro esforço da equipe em trabalhar direito, fazendo os próprios pães, a pasta fresca… Mas falta refinar a proposta.

La Madonnina. Av. Hélio Pellegrino, 204, V. N. Conceição, 3842-0012
Pecorino. R. Domingos Leme, 687, V. N. Conceição, 3842-2375
Bottega. R. Pe. João Manuel, 730, Jd. Paulista, 2305-5914