Paladar

Os pratos sem fronteiras do Mozza

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Os pratos sem fronteiras do Mozza

05 junho 2013 | 23:00 por Luiz Américo Camargo

Se você não circula muito pelos Jardins, pode ficar um pouco confuso. Aquele ponto que, há um ano, pertencia ao espanhol Alma María, de meteórica e atrapalhada passagem pelo mercado, agora abriga o novo Mozza. Só que, aparentemente, quase nada se alterou. O belo projeto arquitetônico de Arthur Casas, por exemplo, segue intocado. O balcão, logo na entrada, permanece com a configuração original; o mesmo vale para os dois salões.

O espaço continua dedicado a uma cozinha de estilo mais informal: o Mozza, que faz parte do Grupo Egeu, é um autodeclarado “mozzarella bar”. Entretanto, o cardápio desenvolvido pelo sócio Paulo Barroso de Barros e pelo chef Salvatore Loi parece tratar de forma despretensiosa, até com humor, a perspectiva de bagunçar as fronteiras entre petiscos, lanches, pratos. Tendo, obviamente, a mussarela de búfala como ingrediente base. E sem avançar em massas, risotos, assados – imagino que para não concorrer com o Italy, irmão e vizinho.

Mozza. Cozinha informal e mussarela de búfala como protagonista. FOTO: Tiago Queiroz/Estadão

A lista de alternativas e combinações é grande. Até confusa. Há mussarela para ser provada em oito variantes de estilo e tamanho (cereja, trança, defumada, etc., de R$ 12 a R$ 57), com molhos à parte (pesto, tapenade, sardela, R$ 5,90). Pode-se experimentá-la em saladas e pratos, assim como em sugestões preparadas no forno a lenha. Mas vou fazer uma síntese do que comi em minhas visitas, para facilitar.

Gostei da pizzetta e do corniccione, respectivamente de alcachofrinha, abobrinha e shiitake, e de mussarela, espinafre e salame (ambos R$ 27). Especialmente pela qualidade da massa, muito bem assada. E também do nhoquete de espinafre recheado com mussarela (R$ 28), embora esperasse mais leveza no molho de tomate. Vi altos e baixos na fritura mista (R$ 32), com polenta, nhoque, mussarela com sálvia e arancini – estes últimos, os melhores itens da coleção.

O prato mais interessante da jornada, contudo, estava camuflado entre as saladas: polvo marinado com limão-siciliano e creme de batatas (R$ 42), tenro, equilibrado. O que talvez revele o espírito da coisa, montar a refeição de um jeito menos convencional, incentivando o compartilhamento, turvando limites sobre o que é tira-gosto, o que é entrada, o que é pièce de resistance. Os preços, no geral, são amigáveis, com um ponto de atenção: os antepastos e porções. São pequenos e, de pouco em pouco, podem levar a conta a níveis indesejáveis.

Sobre o serviço, a impressão que dá é que as experiências com os empreendimentos mais recentes do Grupo Egeu (o Girrarosto, em particular) funcionaram pedagogicamente no Mozza. A brigada de salão sabe explicar o cardápio e é atenta (em especial no almoço, quando a atmosfera é mais tranquila). Mas é principalmente mais civilizada no afã de vender vinhos e coquetéis – que, a propósito, são caprichados.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade.

Vale?
É possível comer abaixo dos R$ 100 (mas fique de olho no preço de antepastos e porções). Arrisque.

SERVIÇO – Mozza
R. Oscar Freire, 439, Jd. Paulista
Tel.: 3063-5820
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (6ª, jantar até 1h; sáb., 12h/1h; dom., 12h/22h. Fecha 2ª).
Cc.: todos

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