Paladar

Ostras em Cancale

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Ostras em Cancale

25 julho 2010 | 10:00 por Luiz Américo Camargo

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Este ensolarado dia começou em Cancale, no norte da Bretanha, onde fomos para comer ostras. E terminou a poucos quilômetros dali, no Le Coquillage, em Saint-Méloir-des-Ondes, o restaurante de Olivier Roellinger – uma visita que contarei em outro texto.

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Chegamos a Cancale lá pelo meio-dia. Paramos o carro no alto do morro, onde se tem uma belíssima vista da baía (a imagem lá do alto), e descemos a pé até as imediações do porto, onde ficam as bancas de ostras – para muita gente, as melhores do mundo. Como escolher, onde comprar? Comparando preços, cotejando o aspecto dos moluscos, ou até pela simpatia do vendedor. Tradicionalmente, os melhores meses para comer ostras são aqueles que têm a letra R: de setembro a abril. No verão (europeu), elas ficam um pouco mais leitosas, devido à fase da desova.

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As ostras creuses (côncavas, logo acima) estavam mais baratas e abundantes. Já as plâtes (chatas, ou planas, imediatamente abaixo), naturais da região, porém atualmente menos numerosas em produção, bem mais caras. E compramos uma dúzia de cada, para comparar.

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A vendedora abriu as conchas, colocando-as sobre pratos grandes. Sentamos então na escadaria de pedra, de frente para o mar, e abatemos as duas dúzias. As melhores? As creuses estavam mais carnudas e menos leitosas. As planas, por sua vez, tinham o sal mais acentuado. Os dois tipos caíram muito bem com o champagne L’Amateur, do pequeno produtor natural David Léclapart, que eu tinha comprado em Paris.

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Não foi o ‘Perfect Day’ de Lou Reed, bebendo sangria no parque e dando comida para os bichos no zoológico. Mas foi um dia perfeito ao estilo bretão.