Paladar

Ovo e Uva: Casa de sommelier

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Ovo e Uva: Casa de sommelier

07 janeiro 2015 | 18:35 por Carla Peralva

Embora os estilos sejam bastante diferentes, não consigo deixar de observar afinidades entre o ainda novato Ovo e Uva, em Pinheiros, e endereços como o Bravin e o Saint Vin Saint. Não me refiro ao repertório de pratos, à ambientação ou, para ser óbvio, à ênfase no serviço de vinhos. Digo mais pela orientação gastronômica, de parecer antes uma “casa de sommelier” do que um “estabelecimento de chef”, com comida e bebida em visível alinhamento.

Ovo e Uva. A melhor surpresa foi a porchetta, de pele crocante. FOTO: Alex Silva/Estadão

Os especialistas em questão são os sócios João Renato da Silva e Fernando Perazza. São eles os responsáveis pela condução do espaçoso bar/restaurante (que também funciona como empório e rotisseria), o que inclui o atendimento ao público e a seleção de vinhos. A oferta de espumantes, rosados, brancos e tintos em taças é acima da média do mercado e cerca de cem garrafas custam abaixo dos R$ 100 (todos os rótulos da carta podem ser comprados para levar). Na cozinha, quem executa os pratos é o chileno Cristóbal Carrión, ex-Fish Bar.

O cardápio do Ovo e Uva mistura influências majoritariamente espanholas e italianas, com laivos contemporâneos. Os preços são amigáveis, as porções não são exageradas e tudo converge para o compartilhamento, sem muitas formalidades, com pratos no meio da mesa e garfos disputando nacos e bocados. Gostei de entradas/petiscos como a alheira (R$ 26), servida com purê de limão e compota de maçã; os bolinhos de carne (R$ 28) com cebola caramelizada e molho de uva (equilibrado e sem grandes doçuras); a panelinha de ovos mexidos com pancetta (R$ 18). Só faltou um pão mais fresco, ou ao menos mais crocante, para acompanhá-los.

Entre os pratos provados, o que mais surpreendeu foi a porchetta (R$ 44), de sabor expressivo e pele crocante, guarnecida por cuscuz marroquino. Seguido pela meia-lua de linguiça (R$ 39), uma massa mais espessa, de feição rústica, feita à minuta, que ficaria melhor – parece bobagem, mas não é – se seu molho de tomate fresco não contivesse fragmentos da pele. E pelo arroz de polvo (R$ 47), com grãos bem al dente e caldo apurado, com macios pedaços do molusco, além de um tentáculo grelhado.

O serviço, por sua vez, é cortês e se esforça para orientar o cliente sobre o que (e quanto) pedir, tanto no cardápio como na lista de vinhos. Por outro lado, na hora da sobremesa (preços entre R$ 12 e R$ 15), não há como evitar uma certa sensação de declínio. Opções como o cheesecake com geleia de uva, o creme brulê de doce leite e a pannacotta de coco com chocolate branco (com mais calda de uva…) não empolgam como os pratos, carecem de personalidade.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade bastante interessante.

Vale?
O almoço executivo apresenta duas possibilidades: pedir a sugestão do dia, a R$ 35; ou escolher qualquer prato principal, pelo preço do cardápio (entre R$ 35 e R$ 49); as duas fórmulas incluem entrada e sobremesa. Escolhendo pela carta, e compartilhando, gasta-se entre R$ 50 e R$ 100, sem bebidas. A água sem gás é cortesia. Vale.

SERVIÇO | Ovo e Uva
Onde: R. Mateus Grou, 286, Pinheiros, 3085-3070.
Quando: 12h/0h e 11h/17h.
Cc.: todos. Estac.: manob. R$ 20.
Ciclofaixa mais próxima: R. Artur de Azevedo.
Metrô mais próximo: Faria Lima (1 km) e Fradique Coutinho (600 m)

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 7/1/2015

Ficou com água na boca?