Paladar

Picchi: cucina clássica com tons modernos

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Picchi: cucina clássica com tons modernos

22 outubro 2014 | 21:15 por Luiz Américo Camargo

Meses atrás, numa resenha sobre o retorno do Supra, eu abri o texto enaltecendo a novidade, já que o restaurante de Mauro Maia fazia falta ao mercado. Retomo a mesma ideia com o Picchi: depois de fechar as portas de sua casa no Itaim, no início do ano, o chef Pier Paolo Picchi retomou as atividades há um mês, desta vez na Oscar Freire. A volta de sua culinária técnica e de sabores precisos é uma boa notícia para o panorama paulistano.

Picchi. Volta da culinária técnica e de sabores precisos do chef Pier Paol. FOTO: Sérgio Castro/Estadão

O novo restaurante ocupa o térreo do Regent Park, que é sócio do projeto. E vai funcionar do café da manhã ao jantar, atendendo o público em geral e os hóspedes do hotel. O salão é agradável, num estilo mais formal, que lembra mais o primeiro Picchi, na R. Jerônimo da Veiga, porém com mais conforto. Quem comanda o serviço – bom, embora falte uniformizar o nível de informação e diligência dos garçons – é Lindomar Amorim, um maître dos mais ecléticos.

Com mais espaço e uma estrutura de trabalho melhor (o que inclui uma horta), a própria cucina clássica com laivos modernos do chef Picchi parece ter galgado um novo patamar. O cozinheiro prepara dos pães aos sorvetes, e mostra versatilidade num cardápio com itens tradicionais e receitas autorais. Um bom início para o repasto é pedir o palmito pupunha grelhado com aliche (R$ 29); a bresaola (R$ 29) curada na casa; e, se a sorte permitir (leia-se: se for pedido muito nhoque), provar das cascas de batatas fritas que acompanham o couvert (R$ 7 no almoço, R$ 17,50 no jantar e fim de semana).

Para a sequência? Espaguete allo scoglio (R$ 43), com vôngole e mexilhões, farto e aromático, ortodoxamente al dente. Agnolotti de coelho à caçadora (R$ 56), servido com o molho da carne, de grande profundidade de sabor. E nhoque de batata asterix assada com porcini e queijo de cabra meia cura (R$ 56), firme e, no entanto, leve. Só fico em dúvida com o fato de as duas últimas massas irem à mesa dentro de uma panela – algo mais pitoresco do que prático.

Pier Paolo Picchi, a meu ver, sempre brilhou com a pasta fresca e com o porco. Mas ele também manipula com respeito as coisas do mar. Seu bacalhau com favas verdes (R$ 78), por exemplo, foi um dos melhores que comi ultimamente. O chef usa a técnica aprendida no Mugaritz, na Espanha: prepara o peixe a baixa temperatura e elabora o caldo usando a pele. Já o grelhado do pescador (R$ 78) traz polvo, camarão, lagostim, lula e o pescado do dia (na ocasião, merluza), além de legumes, na simplicidade do sal e do azeite.

Para concluir, a certeza de um tiramisù à prova de sustos. E a surpresa – já que se trata de uma casa à italiana – de encontrar entre os doces uma delicada queijadinha (R$ 23) e um instigante sorbet de tangerina com gengibre (R$ 24, três sabores).

Por que este restaurante?
Pela volta da cozinha do chef Pier Paolo Picchi.

Vale?
O menu executivo (um principal diferente por dia) custa R$ 45. Pela carta, gasta-se entre R$ 100 e R$ 150 por cabeça, do couvert à sobremesa, sem bebidas. A carta de vinhos é bem montada, destacando exemplares naturais. Vale.

SERVIÇO – Picchi
R. Oscar Freire, 533 (Regent Park Hotel)
Tel.: 3065-5560
Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/0h (sáb. até 16h; dom., 12h/17h; fecha 2ª)
Cc.: todos
Estac.: manob. R$ 20
Ciclorrota na R. Oscar Freire. Metrô: Consolação (1,5 km)

 

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