Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Pomodori, fase 3

05 julho 2011 | 16:33 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 5/7/2011

São 9 da noite e o Pomodori está lotado. Só há lugar no balcão do salão dos fundos, onde também é possível jantar. A outra alternativa é a simples espera, até que uma mesa seja liberada. Decidindo então se faria o pedido no bar ou se aguardaria, aproveitei para perguntar à brigada sobre o novo cardápio. “Tem pratos novos, mas tem também alguns antigos. Sabe como é, os clientes pedem”, disse o maître. Talvez seja isso o que define o momento vivido pelo restaurante: é preciso afirmar uma nova etapa, mas é prudente não romper com a história.

 Jefferson Rueda, como se sabe, não está mais na cozinha, e sua saída foi tumultuada, para usar um termo ameno. Para substituí-lo, a proprietária, Marina Thompson, escolheu Diogo Silveira, que já havia trabalhado na casa. Ainda, portanto, que a solução tenha sido caseira, é curioso observar como este restaurante, aos 8 anos de vida, já atravessou fases tão diferentes.

Na primeira delas, com Rodrigo Martins e Jefferson Rueda no comando, a casa se destacava por sua cozinha italiana cuidadosa e por uma lida pouco amigável com o público. De 2008 em diante, só com Rueda, veio o ápice: um cardápio atraente, com massas frescas e pratos de carne de porco em alto nível, além de um atendimento mais cordial.

Agora, com o cuoco Silveira, a proposta não aponta nem para transformações nem para imitações. Mais do que uma mudança de estilo, o Pomodori passa é por uma mudança de registro. E segue sendo um bom restaurante, com um couvert caprichado (R$ 18) e, no geral, ingredientes bem selecionados. Mas sente-se a falta de um certo brilho.

Eu provei vários pratos, em dias diferentes (ah, sim: na mesa, não no balcão) e, no geral, o resultado é bom, mas com reparos. Silveira parece ser adepto das massas radicalmente al dente, quase um “hiperitalianismo”. Isso aconteceu na entrada, com o ravióli duplo de compota de maçã na fonduta de fontina (R$ 40). E também nos pratos, como o garganelli alla bolognesa (R$ 48) e o fettucine ao molho de sálvia que guarnecia o stinco de javali (R$ 71) – o corte suíno, por sua vez, estava tenro, mas sem o sabor exuberante que porcos e afins costumavam revelar até pouco tempo atrás no Pomodori.

Por outro lado, ainda que os garçons sejam gentis, senti uma regressão no serviço. Em especial no que tange às bebidas. É uma tal aceleração na reposição do vinho e um tamanho descontrole no abastecimento de água que (desculpem) tive de romper a etiqueta e pedir que as garrafas ficassem na mesa, sob meu comando. Pois, entre a quebra de protocolo e a defesa do meu bolso, fico com a segunda opção. Senti que paguei por mililitros que não consumi.

Mas me lembrei até daqueles primeiros anos, quando o restaurante se gabava de só servir águas italianas, usando critérios intrincados para medir seu consumo. Convenhamos: o Pomodori já passou daquela fase. Não precisava mais disso.

Por que este restaurante?
É um dos bons italianos da cidade e agora entra numa nova fase, com outro chef e pratos novos.

Vale?
A refeição completa, sem vinho, fica perto de R$ 200 por cabeça. Não é a melhor relação preço/qualidade. O menu do almoço, por outro lado, é convidativo (R$ 52).

Onde fica
R. Dr. Renato Paes de Barros, 534, Itaim Bibi, 3168-3123 12h/15h e 19h/0h (6ª e sáb., 19h/1h; sáb., 13h/16h; dom., 13h/17) Cc.: todos. Cardápio: massas e assados