Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Por que cargas d’água?

04 outubro 2009 | 00:04 por Luiz Américo Camargo

Não foram poucas as vezes em que comentei, falando do serviço dos restaurantes, sobre a importância de tudo ser tratado às claras. Antes de tomar uma decisão atabalhoada, que pode resultar, muitas vezes, em prejuízo para o cliente, o garçom deveria simplesmente perguntar o que as pessoas querem.

No La Brasserie Erick Jacquin, o atendente até perguntou para minha mulher se a água com gás era nacional. Mas fez a coisa pela metade: não ouviu a resposta, e trouxe um exemplar importado. Fizemos então o pobre coitado dar meia-volta e retornar com a San Pellegrino que já havia sido aberta. Ele fez cara de contrariado, o que quase nos deixou com sentimento de culpa, mas acatou. Uma pena.

Mas mesmo tomando a mineral da marca Prata (R$ 5 a garrafinha), tivemos a surpresa de ver que nosso consumo foi levado para além do que desejávamos.

Eu já tinha acabado o jantar e ainda tinha uns bons mililitros na taça. Mesmo assim, sem eu pedir, vejo o funcionário despejar o conteúdo de uma nova garrafa em meu copo. O mesmo aconteceu com minha mulher. Percebemos, mas continuamos conversando.

Na hora da conta, fiz questão de me manifestar. Expliquei que, antes de servir uma nova garrafa (duas, na verdade), ele deveriam ter nos consultado. Era só dizer assim: “Os senhores querem mais água?”.

O rapaz explicou então que era política da casa não deixar o visitante de copo vazio. O engraçado, no entanto, é que a taça de minha mulher – logo depois que a segunda garrafa já tinha sido destampada – ficou vazia vários minutos. Foi preciso que ela pedisse, por obséquio, a intervenção do garçom. Até por que a água fica longe da mesa. Não é curioso?

O La Brasserie é um restaurante de comida muito boa. Tem gastronomia para vender. Pena que pareça tão interessado em vender água.

Ficou com água na boca?