Paladar

Pratos ibéricos para compartilhar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Pratos ibéricos para compartilhar

29 abril 2015 | 18:33 por Luiz Américo Camargo

Este é um daqueles casos de transformação a olhos vistos. De local algo acabrunhado, tranquilo em excesso (em especial nos tempos inaugurais, no fim do ano passado), o Aragon, nos Jardins, foi virando endereço disputado. Nos últimos dias, pelo menos em duas ocasiões, presenciei filas de espera de quase duas horas, particularmente à noite e no fim de semana. Um fato nada desprezível, considerando que os últimos ocupantes do ponto, o Lupércio e o Varanda Lupércio, não primavam exatamente pelo assédio do público. O que mudou? Difícil definir, e talvez nem seja oportuno. Mas eu arrisco dois palpites: a consolidação de um menu bem executado e a presença do experiente restaurateur Rafael Rios, um dos sócios.

Para dois. Arroz de pato no Aragon, que tem cada vez mais espera. FOTO: Rafael Arbex/Estadão

No dia a dia, quem supervisiona o salão é Fernando Rios, filho de Rafael, cabendo ao chef Ivanildo Oliveira o comando da cozinha. Rafael Rios, até recentemente um dos donos do Don Curro, se afastou da sociedade no decano restaurante espanhol e agora se dedica ao Aragon com mais proximidade. O cardápio, que traça uma espécie de painel de clássicos ibéricos, é extenso, com sanduíches, porções, pratos individuais e, principalmente, receitas para duas ou três pessoas, entre carnes e pescados. Há opções que destacam o arroz, num estilo que se aproxima mais do lusitano – mas paella, por outro lado, não tem. As preparações tendem a ser tradicionais, mas com certas liberalidades.

Minha sugestão? Se estiver em grupo, peça várias coisas, deixe no meio da mesa e compartilhe. Desde entradas e petiscos como a alheira, muito bem frita e apresentada (R$ 22); as croquetas de jamón (R$ 26, dez unidades), saborosas, embora com bolinhos de tamanho pequeno (o que não destaca tanto o bechamel e deixa o interior um pouco mais denso e seco); o sanduíche de pernil (R$ 26), com carne tenra e bem temperada, montado com senso de equilíbrio. Até itens principais, como arroz de pato (R$ 86, para dois), bom de sabor e finalizado com fatias de linguiça e rodelas de cebola, ambas fritas e crocantes. E o bacalhau à lagareiro (R$ 98, oficialmente para dois, mas dá para três), com o peixe muito bem dessalgado, acompanhado por brócolis, ovo empanado, batatas, azeitonas.

Tendo uma presença tão acentuada de pratos tamanho-família em seu cardápio, o restaurante até prepara porções para uma pessoa. Contudo, preste atenção: a meia-dose custa 65% do preço cheio. Em momentos de salão lotado, o serviço tende a patinar um pouco. Mas, no geral, é atencioso com os procedimentos e gentil no acolhimento.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade interessante.

Vale?
É possível dividir porções e pratos e comer bem gastando entre R$ 50 e R$ 100, sem bebidas. A tendência ao compartilhamento também se mostra mais vantajosa na carta de vinhos. Escolher uma garrafa é mais negócio do que pedir por taça ou por botelha de 187 ml – já que as alternativas são poucas e caras. Durante a semana, a casa serve almoço executivo a R$ 38, com perfil mais trivial, não necessariamente de inspiração ibérica. Vale.

SERVIÇO – Aragon
Al. Min. Rocha Azevedo, 1.373, Jd. Paulista
Tel.: 3085-1877
Horário de funcionamento: 12h/16h e 19h/0h (5ª e 6ª até 1h; sáb., 12h/1h; dom., 12h/18h; fecha 2ª)
Ciclorrotas: R. Oscar Freire e Al. Casa Branca
Metrô: Consolação (1,4 km)

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