Paladar

Sanduíches e cucina caseira

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Sanduíches e cucina caseira

04 fevereiro 2015 | 19:27 por Luiz Américo Camargo

Não importa o horário em que você vai chegar: sempre haverá um anfitrião italiano circulando pelo I Tramezzini, explicando a proposta, oferecendo um lugar no salão da frente ou no jardim. Híbrido de lanchonete e bar, o estabelecimento foi batizado a partir de sua principal especialidade, os sanduíches de pão de miga e em formato triangular originários do norte da Itália. No controle da operação estão os sócios Andrea Morando e Paolo Stopino, com a colaboração de vários outros paesani.

Bar e lanchonete. Sanduíches e pratos quentes disputam atenção. FOTO: Divulgação

Os tramezzini em questão são aprumados, a qualidade dos ingredientes é perceptível. Existe equilíbrio entre pão e recheio (23 variações, com opções que vão de presunto com ovo a vitello tonnato), há sabedoria na dosagem da umidade. Mas, ainda que o nome soe charmoso e o produto seja bem feito, a brincadeira é meio cara. Cada exemplar custa entre R$ 9,90 e R$ 14,90, e as unidades são pequenas. Contudo, não é o carro-chefe que justifica o destaque na coluna desta semana. São os pratos, simples e por cifras atraentes.

Quem cuida dos fogões é o cuoco romano Franco Maria Sala, com participação importante de sua mulher, Claudia Pantarelli – que também supervisiona o salão. Suas propostas de “especiais do dia” nunca são impressas. No máximo, vão para a lousa, e variam conforme a semana. No almoço, integram o menu executivo (R$ 34). À noite, surgem como sugestões avulsas, com preços normalmente entre R$ 24 e R$ 29.

O sotaque culinário de Sala, também responsável pelos tramezzini, puxa sempre para a casalinga, a cozinha caseira italiana. Tanto em entradas como a salada de feijão branco com atum e o polvo com batatas, como em principais como o frango à caçadora e o rosbife da casa. O chef não complica preparações e não tem medo de tempero. Assim como não vacila na cocção da massa, servindo rigatone alla norma e tagliatelle ao pesto (a pasta fresca também é feita na casa) sempre al dente e com senso de proporção de molho.

A decepção foi o cacio e pepe (de novo, rigatone), considerando se tratar de um cozinheiro de Roma: muito azeite, quase nada de queijo e pimenta. A surpresa foi o tiramisù: leve, com mascarpone batido praticamente à minuta (e seu devido tempo de geladeira), com biscoitos rusticamente quebrados e crocantes, chocolate na medida. Sendo uma sobremesa fresca, nem sempre está disponível na hora.

Sobre o serviço, os proprietário e gerentes recebem e orientam o público com simpatia. Mas falta afinar o treinamento dos demais membros da equipe. Embora a casa tenha aberto em novembro, a brigada parece ainda em fase de experiência, com eventuais riscos de demoras e enganos.

Por que este restaurante?
Porque é uma novidade interessante.

Vale?
O almoço executivo (R$ 34) inclui água, entrada, prato, sobremesa e café. No jantar, fica entre R$ 50 e R$ 75 por pessoa. As opções de vinho são poucas, mas acessíveis: R$ 17 a taça do branco siciliano Baglio di Luna e R$ 45 a garrafa do espumante nacional Bossa Nº 1. Vale, para refeições despretensiosas.

SERVIÇO | I Tramezzini
Onde: Al. Franca, 1.033, J. Paulista
Tel.: 5033-7900
Quando: 11h/22h (5ª a sáb., até 1h).
Cartões: todos.
Estacionamento: R$ 15 (manob. só de 5ª a sáb.).
Ciclorrota: Al. Lorena. Metrô: Consolação (750 m)

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 5/2/2015

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