Paladar

Sem tex-mex, sem folclores

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Sem tex-mex, sem folclores

18 março 2015 | 17:46 por Luiz Américo Camargo

É preciso separar a simpatia pela causa, por assim dizer, do resultado do trabalho. O que quero dizer com isso? Que qualquer estabelecimento que resolva investir no centro, e, particularmente, num lugar como o Copan, tende a atrair olhares benevolentes. No caso do La Central, acrescente-se que se trata de um belo (e despojado) ambiente, que valoriza a arquitetura original do edifício sem cair em estereótipos e folclorismos à mexicana. E que a casa abre todos os dias, para almoço e jantar. O essencial, contudo, é que a comida é bem feita.


FOTO: Fernando Sciarra/Estadão

O restaurante, para o bem do mercado, não recai nos clichês do estilo texano-mexicano – uma variante que bagunçou conceitos e se tornou quase sinônimo de cozinha rápida. O repertório do La Central sugere um painel da culinária urbana do México, com tacos e pratos, incluindo carnes e frutos do mar. Responsável pela pesquisa e pela implantação do cardápio, a chef Ana Soares manteve a tipicidade, atenuando ardores extremos e adaptando ingredientes (a carta de drinques, por sua vez, foi elaborada por Fabio La Pietra). O produto final, passados três meses da abertura, é uma comida vibrante e bem apresentada.

Como se começa um repasto no La Central, em meio a uma lista de tira-gostos atraente e diversa? Minha recomendação: os tacos de cerdo e chicharrón (R$ 18, duas unidades), com carne de porco, purê de feijão, abacate e torresmo; o guacamole (R$ 22), acompanhado por ótimos totopos, também feitos na casa; as tostadas de atum, abacate e alho-poró (R$ 26), que misturam com habilidade notas e texturas diferentes; ou ainda a cremosa sopa de milho (R$ 16). Confesso que senti falta de algum calor extra, o que deu para compensar com os três molhos que chegam à mesa (o mais picante é o vermelho).

Entre os pratos principais, o picadillo (R$ 37) é apresentado com jeito de PF brasileiro, com carne moída, chilli, milho, purê de feijão, banana frita, totopos e ovo frito. Já itens mais tradicionais como os fideos de frutos do mar (R$ 49, massa curta com camarão, lula e polvo) e o tamal de camarão (R$ 44) são bons de sabor, mas têm em comum uma opção por servir os crustáceos rijos, muito além do ponto.

Gostei das tiritas de carne em chimole, com molho de cacau, feijão-branco e tortilhas e, entre as sobremesas, do três leches (R$ 20), com bolo de amendoim, doce de leite com sal e calda de rompope (gemada) de tequila.
Ainda que os atendentes conheçam o cardápio e sejam prestativos, o fluxo de serviço é mais para lento, já que a cozinha tende a demorar na liberação dos pratos. Em dia de salão cheio, portanto, recomendo paciência.

Por que este restaurante?
Porque é uma boa novidade, e ainda no Copan.

Vale?
Vale, a comida é caprichada e o lugar é agradável. Mas cuidado com o entusiasmo com petiscos e pratos (as porções são pequenas), pois pode sair caro, considerando o perfil informal da casa (é fácil passar de R$ 100 por pessoa). E sem contar bebida – o fator que, provavelmente, pesará mais na conta.

SERVIÇO | La Central
Onde: Ed. Copan, loja 48 (entrada pela Av. S. Luís, 140)
Tel.: 3214-5360
Horário de funcionamento: 12h/16h e 19h/0h (sáb. 12h/0h e dom., 12h/18h)
Cc.: todos
Estac.: não tem
Metrô: República
Ciclovia mais próxima: Av. S. Luís