Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Senhor Arturito, por favor

06 setembro 2012 | 16:13 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 6/9/2012

Paola Carosella, a chef proprietária do Arturito, tem uma trajetória singular na gastronomia da cidade. Chegou em 2001 da Argentina, para trabalhar com Francis Mallmann no A Figueira Rubaiyat. Abriu em 2003 o Julia Cocina, onde se projetou, digamos, como solista. Manteve a casa por dois anos, ficou outros dois em viagens e pesquisas e, em 2008, retornou com o bem-sucedido Arturito. No momento, ela acumula funções gerenciais no Grupo Rubaiyat, como diretora de operações do A Figueira e das duas unidades do Baby Beef. Mas e o Arturito?

O restaurante de Pinheiros chega ao quarto aniversário com um menu refeito. A cozinheira (e agora executiva) convocou o colega uruguaio Ignacio Mattos, que vive nos EUA, para elaborar novos pratos a quatro mãos. O resultado, no geral, é bom, com sugestões de sabor bem definido, tendo o produto como protagonista, uma marca da chef, e apostando em cocções descomplicadas.

A bem da verdade, sempre que penso na cozinha de Paola Carosella tendo a lembrar mais impulsivamente das criações rústicas e vibrantes do Julia. Havia naqueles pratos uma urgência de expressão e uma organicidade (os esotéricos talvez usassem o termo energia…) que, hoje, fazem falta no mercado. Mas chego no Arturito numa segunda instância de pensamento, com seu ambiente nova-iorquino/notívago e suas preparações mais elaboradas e sua preferência pelos tostados, pelas notas ácidas. As novas receitas, por outro lado, talvez inaugurem um terceiro caminho, de mais sutileza, de menos densidade.

A fórmula do almoço (o ‘menu amável’, a justos R$ 52) traz sugestões leves e gostosas como a salada de grãos, ovo caipira, quiabo, coalhada e dukkah (um misto de temperos de origem egípcia), o hambúrguer de lentilha, quinoa e trigo, e a pannacotta de frutas vermelhas (quem me lê com frequência sabe que implico com o fato de tanta gente fazer pannacotta; mas essa vale a pena).

No jantar, há entradas como o magret de pato curado como presunto cru, com figos e avelãs (R$ 28) e a ótima empanada de atum fresco (R$ 18) – talvez a empanada mais cara da cidade, mas admirável pela massa e pelo recheio. Além de pratos como a revigorante cazuela siciliana (R$ 86), com peixe (na ocasião, foi garoupa), tomates, mexilhões, aïoli de açafrão. A rabanada de brioche brulée (R$ 22), por fim, com sorvete de coco e abacaxi tostado, é um belo exemplo de sobremesa feita no limiar da não doçura.

O serviço, no entanto, continua meio distante, meio demorado, ficando mais rarefeito à medida que as mesas são ocupadas. Durante um jantar nos últimos dias, do couvert à chegada da conta, foram duas horas, tempo para um menu-degustação. E mais pelos desencontros no salão do que pelo ritmo da cozinha. Algo que inspira mais a chamar a casa de Sr. Artur do que de Arturito.

Por que este restaurante? Porque a casa (que completa quatro anos) tem um novo cardápio.
Vale? A relação preço/qualidade do menu de almoço é muito boa. À la carte, no jantar, é fácil gastar R$ 200/cabeça numa refeição completa, sem vinho. Dói no bolso.

Arturito R. Artur De Azevedo, 542, Pinheiros, 3063-4951.