Paladar

Siga aquele caminhão

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Siga aquele caminhão

12 março 2014 | 21:00 por Luiz Américo Camargo

A coluna de hoje não vai falar de maître, sommelier ou hostess. Tampouco de ambientação ou carta de vinhos. Porque o tema é o Buzina Food Truck, um caminhão de comida que circula pela cidade desde dezembro. Quem dirige o veículo, em todos os sentidos, é a dupla de chefs Marcio Silva e Jorge Gonzalez. Silva foi dono do Oryza, uma casa com boas ideias, mas vida breve. Gonzalez, americano radicado no Brasil, vinha trabalhando com eventos. Ambos produzem diariamente tudo que é servido, numa cozinha de preparação, e os pratos são finalizados no caminhão. A exceção são os hambúrgueres, feitos na hora.

O esquema é o seguinte. Por Twitter e Facebook, o Buzina informa onde estará, diariamente (o local varia, conforme o dia da semana, em ruas do Paraíso, Pompeia, Jardins, V. Olímpia). Conforme prevê a lei, o caminhão precisa ocupar espaços como estacionamentos ou pontos que possam comportá-lo sem prejuízo do trânsito e da circulação. Aí o veículo se instala, geralmente no almoço, e começa o serviço. O cliente escolhe, paga (só dinheiro ou débito) e aguarda, em mesas e cadeiras coletivas dispostas ao redor – não são muitos lugares.

Sempre na rua. Por Twitter e Facebook, o Buzina informa onde estará. FOTO: Felipe Rau/Estadão

Mas vamos à comida. A lista de sugestões, sucinta, aparece numa lousa, perto do caixa. Alguns itens são mais constantes, outros variam, e a comida é sempre apresentada em caixas de papel, com talheres de plástico. Dos pratos mais fixos, há uma ótima salada de abóbora japonesa com queijo de cabra (R$ 15) e um aromático frango ao curry com cuscuz marroquino (R$ 20). Dos variáveis, numa das visitas provei uma porção de gnudi (o nhoque de ricota e espinafre, R$ 20) leve e com um equilibrado molho de tomate.

Também me diverti com os hambúrgueres, montados com cuidado, embora tenha me entusiasmado mais com os pratos. E acho que opções como o “buzina” (R$ 19), com linguiça tipo espanhola, batata (já dentro do sanduíche) e aioli funcionam melhor que o “frenchie” (R$ 36), com terrine de foie gras (o mais básico é o cheese salada tradicional, R$ 15). Contudo, gostei bastante das “fritas bravas” (R$ 6): cortadas finamente, ao estilo das pommes allumettes, as batatas são polvilhadas com páprica e servidas crocantes e douradas.

A síntese do programa? No início e no fim do serviço, o atendimento é mais rápido (na média, não demora) e é mais fácil conseguir lugar para sentar. Por volta da 13h, 13h30, costuma ser mais complicado (e a fila empaca especialmente no pagamento com cartão). E, em dias de calor extremo, não é uma boa pedida. De resto, a comida é fresca, despretensiosa, e o Buzina orna bem num cenário que anda precisando de diversidade com qualidade e preços acessíveis.

Por que este lugar?
Porque é uma novidade e uma alternativa para provar pratos bem feitos a bom preço – e sem formalidades nem muito conforto.

Vale?
É difícil gastar mais de R$ 50 por pessoa (a menos que você realmente coma muito). Com R$ 30, no geral, está resolvida a fome. Tendo em mente que o espírito da coisa é fazer um almoço (e, por vezes, jantar) rápido com decência, vale.

SERVIÇO – Buzina Food Truck
Nesta quinta-feira, 13, no almoço, na R. Gomes de Carvalho, 789, V. Olímpia, 12h/14h; jantar, na R. Casa do Ator, 501, 19h30/22h. Amanhã, na R. Oscar Freire, 433, J. Paulistano, 12h/14h30. Sábado, R. Harmonia, 71, V. Madalena, 13h/17h.
Mais informações: twitter.com/buzinafoodtruck e facebook.com/buzinafoodtruck

>> Veja a íntegra da edição do Paladar de 13/3/2014

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