Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Tapear (à italiana)

22 janeiro 2010 | 11:14 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 21/01/2010

Num primeiro exame do cardápio, o novo BottaGallo pode produzir no visitante uma espécie de angústia do excesso. Tudo parece interessante, e não é fácil escolher. Fica-se com a impressão de que algo mais apetitoso está sendo perdido. Mas o fato é que você terá de fazer suas eleições e, quem sabe, voltar para experimentar mais coisas.

A inspiração deste bar gastronômico, nascido da associação entre a Cia. Tradicional (Bráz, Original, Astor, etc) e o empresário Ipe Moraes (Adega Santiago e Espírito Santo), é radicalmente italiana. O menu apresenta uma seleção de antepastos, massas, carnes e que tais concebidos para beliscar e compartilhar – à maneira do que acontece com as tapas. Há também pratos completos, para quem deseja comer uma única coisa. A graça, contudo, é experimentar, variar.

O responsável pela cozinha é o chef André Lima, que pesquisou e desenvolveu item por item. Ao propor a convivência harmônica de petiscos e entradas simples com pratos ora mais tradicionais, ora mais criativos, o cozinheiro toca num ponto importante: atualiza o cenário paulistano sobre o que é feito na Itália de hoje. Não no sentido de modernidade, mas da realidade cotidiana. E capta um repertório de receitas, um estilo de fazer refeições que não vinha sendo muito abordado nem pelas trattorie nem pelos restaurantes de alta cucina de São Paulo.

Teoria à parte, o resultado prático também é convincente. Há coisas realmente saborosas, como o plin (massa recheada com carne e vegetais, R$ 14) servido sem molho, dentro de um guardanapo, como é usual no Piemonte, para comer com as mãos. E o feijão branco cozido lentamente com linguiça de javali (R$ 11), uma receita de inspiração toscana.

Completaram a primeira leva, por assim dizer, as costelinhas de porco, assadas no forno a lenha (R$ 19), e a scarpetta com polpetini (R$ 21, uma pequena porção de molho de tomate para raspar com o pão).

A dinâmica de pedidos, diga-se, é algo para se pensar. Se você escolhe muitas coisas de uma vez, corre o risco de vê-las esfriar sobre a mesa. Se pede uma a uma, pode esperar mais do que deseja. Talvez seja melhor consultar os garçons – ou simplesmente solicitar aos pares, sem pressa. Minutos depois, quase refeito da rodada inicial, experimentei ainda um prato de tonarelli à carbonara (R$ 39), com massa feita na casa, cozida bem al dente (mas talvez com ovo demais e pancetta um pouco de menos). E encerrei com um bom pudim de chocolate (R$ 15).

O BottaGallo, em resumo, pode ser uma experiência de variadas profundidades. Presta-se tanto ao petiscar quanto a um jantar mais substancioso. Garante-se tanto nos drinques como nos vinhos (a carta contempla somente os italianos).

É bar, como fazem questão de afirmar os proprietários, com música alta e falatório, mas funciona como restaurante. Pode tanto sair barato como ficar caro (cuidado com a empolgação). Vai depender da altura em que você quiser voar.

BottaGallo

R. Jesuíno Arruda, 520, Itaim-Bibi, 3078-2858.

18h30/1h30 (6ª até 2h30; sáb., 12h/2h30; dom., 12h/0h). Cartões: A, M e V

Cardápio: italiano, com petiscos e pequenas porções