Paladar

Tordesilhas expande os limites

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Tordesilhas expande os limites

19 junho 2013 | 23:00 por Luiz Américo Camargo

O Tordesilhas – o restaurante – surgiu como um corte, um divisor no mapa da gastronomia em São Paulo. Não no sentido de repartir, de demarcar, como o Tordesilhas – neste caso, o Tratado. Mas na intenção de abraçar uma cozinha brasileira que andava meio difusa, ora restrita a cardápios regionais, ora revivida nos botecos. A sua maneira, a casa da chef Mara Salles traçou um breve compêndio de receitas e tradições.

O restaurante acaba de romper uma outra linha divisória. Atravessou a Av. Paulista e foi para os Jardins, onde ressurge mais bem instalado, mais apto a expressar seu repertório de clássicos e reinterpretações. Agora, conta com um salão maior, que destaca a mesa-balcão coletiva; com um deck, de frente para a Al. Tietê; e com ambiente para espera. A nova disposição facilita a dinâmica de serviço, que continua solícito e informal, embora nem todos os garçons estejam no mesmo nível. O almoço de meio de semana, por outro lado, não funciona mais, assim como o bufê de domingo.

Nos Jardins. O mesmo serviço solícito e uma cozinha ainda mais afiada. FOTO: José Patrício/Estadão

No cardápio, a maioria dos standards foi mantida, com algumas novidades. O restaurante parece mais afiado na cozinha. Sempre comi direito no Tordesilhas, e isso há anos. Mas as recentes visitas foram além. E nem vou teorizar a respeito: às vezes, diante de uma bela pintura, o mais adequado é dizer, sob pena de soar ingênuo, que se trata de um quadro bonito. Por analogia, eu afirmo simplesmente que tudo o que provei estava muito gostoso.

Os petiscos são preparados com precisão e servidos com agilidade (até porque não há couvert): como os pasteizinhos mistos (R$ 24), o bolinho errado (R$ 22), de mandioca com queijo, o bolinho de pirarucu com conserva de maxixe (R$ 25). As sugestões mais tradicionais, a moqueca capixaba, com badejo e camarão (R$ 77); o pato no tucupi (R$ 70); e particularmente a feijoada (R$ 65) de sábado, continuam profundas de sabor e sutis nos detalhes. Seja na qualidade da farinha d’água que acompanha a ave de inspiração amazônica; ou no ardor e na vaga doçura do caldo da feijoada.

Entre as novidades, a casquinha de siri recebe um toque de dendê (R$ 18). O espaguete de abobrinha (R$ 27) com queijo da Serra da Canastra e tomate assado com aliche é leve e tem ótima textura. As três carnes do sertão (R$ 60) compõem um manual prático de curas e salgas, com jabá, carne de sol e charque em preparações diferentes, revelando as peculiaridades de cada uma. No primeiro exame, poderia parecer pesado, mas não: é fácil de ser abatido. Só ficaria melhor com uma farofa mais incrementada.

Das sobremesas, o creme inglês de pequi (R$ 19) com compota de maracujá orna bem com a já conhecida cocada de tabuleiro (R$ 21). Mas não ganha do dulcíssimo pudim de tapioca (R$ 19) com baba de moça – para mim, ainda a melhor sobremesa da casa.

Por que este restaurante?
É um clássico da cidade, em nova sede, com novos pratos.

Vale?
Uma refeição completa custa entre R$ 100 e R$ 150 por pessoa. Vale.

SERVIÇO – TORDESILHAS
Al. Tietê, 489, Cerqueira César
Tel.: 3107-7444
Horário de funcionamento: 17h/1h (sáb., 12h/17h e 19h/1h; dom., 12h/17h. Fecha 2ª)
Cc.: todos

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