Paladar

Um recorte asiático no Itaim

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Um recorte asiático no Itaim

06 maio 2015 | 18:32 por Luiz Américo Camargo

A proposta do Miso, inaugurado há um mês, é interessante: compor um painel da culinária de Japão, China, Coreia e Tailândia, com suas receitas mais conhecidas servidas em bufê. O resultado concreto também é convincente. Os pratos, apresentados em estações diferentes, no geral são bem executados (a presença de muitos orientais pelo salão, de colônias diversas, reforça essa impressão). Em alguns casos, quem sabe soem apenas atenuados em ardor e potência. Mas a reposição é constante, e a coleção de standards contempla vários métodos de cocção.

Bibimbap. Arroz na panela está na seção coreana do cardápio do Miso. FOTOS: Sérgio Castro/Estadão

O Miso (diz-se “missô”) ocupa o ponto que, até poucos meses, pertencia ao Fisherman’s Table, no Itaim. E está sob o comando da empresária Lilian Hwang, também sócia do antigo ocupante do imóvel. A paisagem gastronômica traçada pela restauratrice,  contudo, não é equânime. A Tailândia surge com menor espaço, em massas como o pad thai, preparada à minuta. O Japão talvez predomine na cozinha fria, com sushis de combate, sem sustos – de polvo, de atum, do incontornável salmão (há sashimi, ostras e mexilhões, também). China e Coreia dividem território mais equilibradamente, em quentes e frios.

Dá para se divertir com kimchi, jap chae, kimpirá gobô (bardana). Fartar-se de pato à pequim, joelho de porco, tempurás variados (com fritura bem sequinha), guioza, tonkatsu, além de robatas e bulgogui, o churrasco coreano, feitos na grelha a gás.  E, no mesmo balcão de frituras e assados, pedir bibimbap, que depois é levado à mesa numa pequena panela de pedra, com direito a orientação sobre o modo de comer por parte da brigada coreana: misturando arroz, carne, vegetais e ovo (frito, não cru, como é da tradição). Justificando, enfim, o nome da especialidade – bibimbap é “mexido”.

Já as sobremesas, incluídas no preço, são majoritariamente ocidentais e funcionam muito mais como o elemento doce que aplaca a ingestão de sódio. Tem brigadeiro, tortinhas de chocolate e limão, pudim de leite, frozen iogurte e suas coberturas (a propósito, evite sentar perto da máquina de frozen, uma região, por razões óbvias, sempre movimentada).

O sistema de bufê, por natureza, já propõe um repasto mais rápido. A decoração, com seu mobiliário despojado e seus guarda-chuvas coloridos, também não estimula fruições desaceleradas. É uma pena que a trilha ambiente, ao estilo pop/rock adolescente e em volume alto, contribua ainda mais para um certo clima de pressa. Não precisaria enveredar por canções típicas, por temas com escalas pentatônicas (nem recorrer, no extremo oposto, a alguma set list do coreano Psy). Bastava ajudar na criação de uma atmosfera que não desviasse tanto a atenção daquilo que vai no prato – que é de boa qualidade.

Por que este restaurante? Porque é animador ver a cozinha asiática tratada de forma trivial (no melhor sentido) em outros bairros além de Liberdade e Bom Retiro.

Vale? Vale, se você come bastante. O bufê custa R$ 59,90 (dia) e R$ 79,90 (noite). No fim de semana e feriados, é R$ 89,90.

SERVIÇO – Miso R. Pedroso Alvarenga, 554, Itaim-Bibi Tel.: 3167-3605 Horário de funcionamento: 12h/15h e 19h/23h30 (sáb., 12h/16h30 e 18h30/23h30; dom., 12h/16h30 e 18h30/22h30; fecha 2ª) Estac.: Manob. R$ 20

>>Veja a íntegra da edição do Paladar de 7/5/2015

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