Paladar

Luiz Américo Camargo

Eu só queria jantar

Vistas diferentes para o mar

07 junho 2012 | 18:13 por Luiz Américo Camargo

Publicado no Paladar de 7/6/2012

O gigantesco e recém-inaugurado Coco Bambu faz lembrar o velho mote dos Jogos Olímpicos: faster, taller, stronger. É que a filial paulistana da rede cearense é um colosso de 500 lugares, com brigada numerosa e agilizada, telões, cardápio enorme. Ao chegar, a hostess pergunta: o senhor prefere o primeiro, segundo ou terceiro piso? Isso dá a dimensão da aventura.

Como na matriz de Fortaleza, os frutos do mar predominam. E, ao mesmo tempo, são ofuscados como protagonistas. Pois a proposta, no geral, é servi-los (principalmente os crustáceos) com cremes, molhos, queijos. Embora não seja impossível pinçar receitas menos intervencionistas.

Há uma boa lula à doré (R$ 21,30) para entrada, uma moqueca razoável (R$ 99,80, de camarão e pescada amarela), um misto de grelhados com peixe, crustáceos e moluscos (R$ 205, chamado rede do pescador). Mas a essência do programa é a seguinte. Porções tamanho G, recomendadas para mesas numerosas, com fartura de matéria-prima. Cozinha de estilo praieiro para quem, paradoxalmente, não aprecia o que franceses chamam de le gout de la mer.

Por que este restaurante? Porque é uma novidade, anunciada como o maior restaurante de São Paulo.
Vale? Os pratos são divisíveis por três ou quatro pessoas, o que não sai caro. Para quem quer gula, vale. Para quem quer gastronomia, não.
Pilico & Bia – Com seu estilo caseiro, não profissional, o Pilico & Bia acaba de mudar de endereço. Fundado pelo casal Ana Beatriz e José Rubens Le Suer – a Bia e o Pilico -, o estabelecimento deixou Pinheiros, onde fez fama, e foi para a Rua Minas Gerais, em Higienópolis.

Para quem nunca foi, é preciso avisar. Não tem ambiente nem serviço (só no fim de semana), não aceita cartão e é tudo meio improvisado, já que, afinal, é a casa deles. Mas quando os pratos chegam, as incertezas se resolvem.
Pilico é um cozinheiro do mar. Morou na Bahia, desenvolveu particular habilidade com moquecas e, nestes anos em São Paulo, montou uma boa rede de fornecedores de matéria-prima. É um autodidata que respeita o produto e assombrou meio mundo quando venceu o Prêmio Paladar de 2006 na categoria peixes e frutos do mar. À época, a demanda foi tanta que os proprietários ligaram para o jornal pedindo que a casa ficasse uns tempos fora do roteiro do Divirta-se, para ver se a vida voltava ao normal.

De uns tempos para cá, por problemas de saúde, Pilico não tem ficado no fogão. Mas Bia continua a postos. O extenso cardápio também não mudou ao longo dos anos. E eu continuo achando que a melhor combinação é: começar por casquinhas (R$ 10 a unidade) ou pastéis (R$ 15 a porção), ambos de siri; prosseguir pelas moquecas de camarão, leves, aromáticas, com crustáceos no ponto e uso sábio e equilibrado do dendê (a de camarões grandes, para duas pessoas, sai por R$ 83); e fechar com goiabada.

Como o risco de demora é grande, em especial aos domingos, o mais indicado é ligar, marcar hora, pedir antecipadamente – o cardápio está na internet (pilicobia.com.br). De resto, é entender a natureza do passeio, tomar a iniciativa de buscar as bebidas na geladeira, servi-las e esperar pelos pratos.

Por que este restaurante? Porque ele acaba de mudar de endereço.
Vale? Os preços são honestos, o produto é bom. Vale.

Coco Bambu – Av. Antônio J. de Moura Andrade, Itaim Bibi, 3051-5255.
Pilico & Bia – R. Minas Gerais, 59, Higienópolis, 3814-2283.