Paladar

Luiz Horta

A Bonarda da Helô

29 março 2011 | 09:13 por Luiz Horta

Não foi de sopetão, nem de impulso. Depois de pensar e repensar, eu disse: talco!

Senti cheiro de talco em todos aqueles vinhos. Mas meu nariz é iniciante. O nariz do Horta estava ali para ajudar o meu. E ele disse:

– Floral e poeira.

– Rá – meu nariz iniciante pensou – junte flor e pó e você terá talco. De vovó.

E foi assim que surgiram as primeiras linhas desta harmonização:

Bonarda, Paños, flores y frutos (1914), de Cesáreo Bernaldo de Quirós

A brincadeira é associar vinhos e obras de arte. Não há muita regra, nem muita ordem, como convém às boas brincadeiras.

Eu fui à degustação com a missão de encontrar uma obra de arte bonarda. E tudo começou no talco. Precisaria ser algo meio velho, no sentido de velho mesmo, não de antigo (para arte) ou envelhecido (para vinho). Algo com cheiro de vó.

E da vovó eu fui ao vovô, e aqui o racionínio é tão livre que eu entendo se você achar que eu sou louca (é que sem um pouco de loucura, essa brincadeira quase não funciona). Eu lembrei do “Vovô viu a uva”. E fiquei com inveja dele. Porque era tanto isso (correção de acidez) e tanto aquilo (carvalho), que um vinho tinha cheiro de cocô de cavalo e o outro lembrava esparadrapo (isso aí foi o nariz do Horta que me contou).

Foi então que eu decidi: natureza morta! Empoeirada, com cheiro de talco e tanta camada de coisa que onde é mesmo que está a cesta de frutas? Ali, ó, no meio desses panos, tapetes e toalhas que, com esse drapeado todo, só podem estar repletos de poeira. Ai de mim, de minha sinusite e da rinite alérgica que eu sei que ataca o nariz do Horta de quando em quando.

[o post completo da Helô pode ser lido no blog Caracteres com espaço

Ficou com água na boca?