Paladar

Luiz Horta

A mesinha de cabeceira

03 janeiro 2009 | 04:15 por Luiz Horta


Já que estamos nestes dias de limbo, com o ano se arrastando para começar, aproveito para responder algo que frequentemente pedem: sugestão de livros.

Vinho se conhece provando, repetindo, comparando. É o jeito. Entretanto, talvez seja a bebida mais “legível”. Explico. O prazer dos vinhos é também muito intelectual. É possível avaliar um vinho sem saber nada sobre ele, claro. Afinal o que conta é o aroma e o sabor.

Mas o conhecimento geográfico e histórico amplia muito a graça de abrir uma garrafa. Um pontinho de poesia informa nosso gosto: sentir o sol que bateu nas uvas no sul da França, imaginar a Cordilheira dos Andes em Mendoza, ou o solo pedregoso do Mosel na Alemanha e por aí afora.
Pode parecer aborrecido. Realmente não é indispensável este conhecimento. Só que ele potencializa o prazer, garanto.

Assim, há dois livros que são imprescindíveis na prateleira do enófilo, enochato ou enoentusiasta. Um é o “Oxford Companion to Wine” , de Jancis Robinson e Julia Harding. Esta a enciclopédia de tudo, para ser consultada diáriamente. E resolve, as dúvidas estão respondidas lá: tipos de uvas, os diferentes carvalhos, as fermentações.
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O outro livro é o “Atlas Mundial do Vinho” de Sir Hugh Johnson e Jancis Robinson. Todas as regiões vinícolas do mundo, seus mapas, seus detalhes de clima estão lá. Mesmo que não possamos beber um Montrachet com frequência (ou nunca! que fazer?), podemos apontar no mapa os vinhedos, sonhar. E este foi traduzido em português ano passado e editado com cuidado idêntico ao original.

Na área dos livros brasileiros há vários, cada um com suas virtudes. Os que indico são os daquelas pessoas de quem aprendi e que nos ensinam a vida toda: Sérgio de Paula Santos, Saúl Galvão , José Oswaldo Amarante. Seus livros vão sendo reeditados com frequencia. São sempre necessários e nunca desaparecem das livrarias. “Tintos e Brancos” do Saúl mora na minha mesa, não passa uma semana sem que o consulte.

No setor dos livros introdutórios saiu no final do ano um bem feito “Livro do Vinho”, uma destas edições super ilustradas da companhia inglesa Dorling Kindersley. Foi traduzido pela Publifolha. É muito bem feito, didático, simples, direto. Um manual insuperável.

Somando todos dá uma grana considerável. Mas não é preciso comprá-los de uma vez. O último custa 69 reais, preço de uma garrafa de um bom Malbec argentino. Que tal beber uma garrafa a menos e ler um livro? A garrafa seguinte já vai ter sabor diferente…

Ficou com água na boca?