Paladar

Luiz Horta

Ainda os californianos

09 agosto 2009 | 23:32 por Luiz Horta

Meu leitor (no caso, correspondente do Glupt! em Karlsruhe) Fábio Monteiro, fez um comentário tão bom que eu passei para cá. Comentário melhor que o post original, isto é ter leitores de calibre. Obrigado Fábio! Só uma coisa extra sobre o filme, quando anunciam Aubert de Villaine, tem um ator gordo e barbado representando o esquálido e imberbe diretor do Romanée-Conti. Nem isto fizeram, uma pesquisa mínima para ver como os personagens são realmente, que filme ruim! Passo o teclado ao Fábio:

“Como não vi nem pretendo ver o filme, peço desculpas em antemão por repetir, eventualmente, dados já conhecidos. Aqui os resultados, em ordem classificatória, do “Julgamento de Paris” em 24/5/1976 (degustação às cegas):

Chardonnays:
1. Chateau Montelena Winery 1973 (Mike Grgich, EUA)
2. Meursault Charmes, Roulot 1973
3. Chalone Vineyard 1974 (EUA)
4. Spring Mountain Vineyard 1973 (EUA)
5. Beaune Clos des Mouches, Joseph Drouhin 1973
6. Freemark Abbey Winery 1972 (EUA)
7. Batard-Montrachet, Ramonet-Prudhon 1973
8. Puligny-Montrachet Les Pucelles, Domaine Leflaive 1972
9. Veedercrest Vineyards 1972 (EUA)
10. David Bruce Winery 1973 (EUA)

Cabernet Sauvignons (pontuação máxima 20):
1. Stag’s Leap Wine Cellars 1973 – 14.14 (Warren Winiarski, EUA)
2. Château Mouton-Rothschild 1970 – 14.09
3. Château Montrose 1970 – 13.64
4. Château Haut-Brion 1970 – 13.23
5. Ridge Vineyards Monte Bello 1971 – 12.14 (EUA)
6. Château Léoville-las-Cases 1971 – 11.18
7. Heitz Wine Cellars ‘Martha’s Vineyard’ 1970 – 10.36 (EUA)
8. Clos Du Val Winery 1972 – 10.14 (EUA)
9. Mayacamas Vineyards 1971 – 9.77 (EUA)
10. Freemark Abbey Winery 1967 – 9.64 (EUA)

O júri na ocasião era composto por:
1. Steven Spurrier
2. Patricia Gallagher (Academie du Vin)
3. Odette Kahn, (Revue du Vin de France)
4. Jean-Claude Vrinat, (Restaurante „Taillevent”)
5. Raymond Oliver, (Restaurante „Le Grand Vefour”)
6. Christian Vanneque, (Sommelier do Restaurante „Tour d’Argent”)
7. Aubert de Villaine, („Domaine de la Romanée-Conti”)
8. Pierre Tari, („Château Giscours”, Bordeaux)
9. Pierre Brejoux, (Inspetor-Geral do INAO francês)
10. Michel Dovaz (Instituto do Vinho francês)
11. Claude Dubois-Millot

Como se vê, o júri era composto por 9 franceses e dois estrangeiros (Spurrier e Gallagher), o que causou aquele bafafá ao se identificarem as garrafas. Tinha nego querendo mudar notas, reaver papéis, o diabo. Mesmo em 2005, alguns membros do júri ainda não queriam falar sobre a degustação, alegando que o assunto “doía muito”. A imprensa francesa, envergonhada, noticiou o mínimo possível na época. E os franceses mais inconformados concluíram que os vinhos californianos ganharam pela pujança de sua juventude, e que ao cabo de alguns anos a coisa seria diferente. Ledo e Ivo engano; em todas as degustações posteriores com os mesmos vinhos (e quase sempre o mesmo júri), os californianos ganharam de novo: San Francisco (1978), Paris (1986), Paris (2006).

Pra mim, todos saíram ganhando com o Julgamento de Paris. Os americanos, por saberem que seus vinhos podem ganhar dos franceses. Os franceses, porque concluíram que precisavam continuar melhorando. Os outros países produtores, porque tiveram o exemplo dos americanos. E nós consumidores, porque tiramos proveito do crescimento da qualidade do vinho no mundo inteiro, desde então. Et vive la différence!”