Paladar

Luiz Horta

Argentina: vinhos do Glupt!

09 dezembro 2008 | 01:51 por Luiz Horta

Esse foi um ano médio para minha experiência argentina. O país cresceu muito, é uma potência vinícola, a nossa Austrália. Mas atingiu uma velocidade de cruzeiro em que há poucas surpresas, no bom e no ruim.

Os vinhos estão muito equilibrados, embora falte encantamento, aquelas coisinhas que fazem que sejam relembrados e desejados. A falta de acidez natural em quase todas as regiões é um problema. Mesmo não sendo degustador noto com frequência as correções de tartárico. Não sei como estes vinhos evoluirão.

Tomei muitos vinhos argentinos, óbviamente: o preço continua adequado e são competitivos. Na feira da Wines of Argentina, no começo do ano, a prova dos tops Malbecs (eram umas trinta garrafas) deu um resultado muito positivo em qualidade, mas constrangedoramente parecido. Os vinhos tinham um caráter tão semelhante (fruta potente, madeira nova, álcool, toque de doçura) que pareciam iguais. Uma pena. Com terroirs tão diferenciados, de Salta no Norte à Patagônia, no extremo Sul, a Argentina tem uma das paisagens vinícolas mais lindas do mundo. Mendoza com a Cordilheira nevada ao fundo é um exemplo. Espera-se mais personalidade local nos vinhos.

Tintos:
Catena Alta Cabernet Sauvignon 2004
Pascoal Toso Malbec 2005
Pulenta Estate Gran Corte 2003
J Alberto de Bodegas Noemia 2007
San Humberto Petit Verdot, s/d

Brancos:
Colomé Torrontés 2007
Angelica Zapata Chardonnay 2004

Doce:
Os Malamados de José Alberto Zuccardi, o tinto de Malbec e o branco de Viognier, uma grande sacada, a de fazer um Porto mendocino. O Sémillon do Catena Zapata promete, mas ainda não é notável.