Paladar

Luiz Horta

Brancos e colorados

09 março 2009 | 01:54 por Luiz Horta

Fui jantar nesta promoção de Restaurant Week. Ilusão rápida. A ideia era o Marcel, mas tinha uma fila de espera para o café-da-manhã de hoje…Acabei no Emiliano, para comer novidades do cardápio.

O Emiliano é um dos melhores lugares para beber vinhos em São Paulo, tem dois excelentes sommeliers, no sentido de conhecimento e profissionalismo. Lá os vinhos são bem tratados. Basta entregar as garrafas e eles sabem o que fazer, esfriam o branco, refrescam o tinto, decantam, tudo simples, rápido e pertinente. O serviço à mesa é discreto, eficaz, não enchem nem a taça nem a paciencia. E…não cobram taxa de rolha!

Levei um Jura e um Rhône. Como esperado o Gramenon era gostoso, expressivo, bom tinto, um pouco alcóolico. Queria que fosse mais típico da Syrah, apesar desta uva ser só 5% do blend, e que tivesse um pouquinho mais de acidez, mas tinha um nariz agradável, muito floral, de suculenta Grenache perfeitamente madura, sem traço de nada verdoso. Ele só desabrochou por completo depois de mais de uma hora de decanter. É natural, sem filtragem, sem clarificação, sem dióxido de enxofre, pura expressão de fruta e discreta mineralidade, nada de rusticidade, feito no capricho e elegantíssimo. Bebido cedo demais, merecia uns anos de garrafa.
[Domaine Gramenon, “La Sagesse”, 2007, 14%]

Já o branco deu um show completo. Aqueles traços ajerezados e amendoados no nariz, a acidez deliciosa e a complexidade que faz que cada gole mostre algo diferente, cada cheirada também. Muito mineral.Um vinho assim não tem monotonia, uma única garrafa segura toda uma refeição, pois se desdobra em sutilezas e não cansa. Tinha de tudo, maça verde, mel, flores brancas e por aí afora. Custou 19 euros, ou seja, menos de 60 reais…Se pudesse teria uma caixa. A uva Savagnin está subindo como um foguetinho no meu afeto.
[Arbois, Savagnin 2006, “à la Fauquette” de Stéphane Tissot, 13,5%]

Que eu saiba só a Tire Bouchon importa vinhos do Jura.

Ficou com água na boca?