Paladar

Luiz Horta

Brincando de Parker

09 junho 2010 | 01:38 por Luiz Horta

Num almoço ontem, Jean-Guillaume Prats do Cos d’Estournel apresentou o discutido vinho 2009. A safra 09 de Bordeaux já ficou como unanimidade, a melhor de muitos anos, “melhor da minha vida” disse Steven Spurrier em chamada bombástica na capa da Decanter e ninguém discordou. Ao contrário, houve rara aquiescência quanto ao nível único dos vinhos do ano passado, reunindo a crítica dos dois lados do Atlântico.

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Um dos poucos vinhos em que as opiniões se separaram o Cos d’Estournel repete o Pavie 2006 [2003 e não 2006 me corrige meu amigo Alexandre, que além de grande bebedor de Yquens in loco é um especialista em claret]. Robert Parker deu uma nota gigante para o vinho de Prats, Jancis Robinson e outros ingleses, como Neal Martin (que trabalha para Parker) não gostaram do vinho, considerado por eles feito com uvas excessivamente maduras e pesado demais.
Provei o 2009, não gostei muito, mas é preciso ressaltar que não sou degustador e não estou familiarizado com a complexa operação de provar vinhos que não estão prontos e calcular como serão daqui 20 anos. Claro que montes de coisas se percebe. Acidez, origem dos taninos e sua capacidade (ou não) de evoluir, tudo isto faz parte de meu repertório de avaliação. Entretanto, um vinho duro, absolutamente inacabado, práticamente um rascunho, como esse Cos, impossível. Só o tempo transcorrido de verdade, vai dizer quem tinha razão.
Enquanto isto bebemos o fantástico 2003 (meu favorito), 0 1985 (com lindas notas evolutivas e um toque herbáceo), o ultra jovem 2005, o Pagodes de Cos 2002 e os produtos mais modernos do Château, o Goulée Rouge e o Blanc. Vou falar deles e do humor de Monsieur Prats noutro post.

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Ficou com água na boca?