Paladar

Luiz Horta

Cavistes, modo de usar

20 dezembro 2008 | 22:01 por Luiz Horta

Cavistes não têm um equivalente exato no Brasil. São os donos de um pequeno armazém de vinhos, negócio familiar mesmo, que muitas vezes buscam pessoalmente os vinhos no interior. Com isto eles passam a conhecer profundamente o que vendem. Os vinhos ficam empilhados, em caixas e cada cave é uma aventura de descoberta.

O seu grande problema equivale à sua grande virtude: a proximidade de relacionamento. Porque num catálogo grande e impessoal ou num supermercado você pega o vinho na prateleira ou faz o pedido pelo telefone e pronto. Se não quiser papo, nao tem papo. Com o caviste nao. Ele quer papo, sempre.

Passei por duas situações difíceis até o momento. Sem mencionar que mesmo em grandes lojas os vendedores ficam com cara de “magoei” quando se dispensa o conselho e o palpite.

Eu gosto de fuçar os vinhos, ficar lá olhando as prateleiras e escolher. Impossível. O cara já te olha estranho porque nao se trata de um cliente conhecido, do bairro.

Na Caves du Roy, aqui perto de onde estou, em Montmartre, o pai viu que eu preferia falar inglês e me passou para o filho. O filho adorou a tarefa, explicou com minúcias cada vinho que eu ousava tocar. Muito bem, aliás, ele conhece todos de fato e tinha grande confiança nos seus produtos.

Mas eu tinha uma certa pressa e queria apenas uma garrafa recomendada no blog de Jamie Goode. Inútil. Sai com 3 garrafas e uma verdadeira aula.

Ficou com água na boca?