Paladar

Luiz Horta

Ceticismo metódico

16 março 2009 | 23:23 por Luiz Horta

Sou formado em desconfiança, se não rigorosamente científica, pelo menos um certo estado de “ficar cabreiro” com as coisas tidas como verdades universais: homem na Lua, existência do colesterol e eficácia do incentivo fiscal à cultura, para citar apenas três, de uma vasta lista de buracos negros pessoais que vejo no mundo.

A utilidade dos formatos de decanters também entra aí. Os copos tomei um banho de Mr.Riedel, pois ele provou na nossa frente que a taça faz diferença, e muita.

Agora é a vez do decanter chamado Ovarius, desenhado por um tal Monsieur Patois (what’s in a name?, já perguntaria Proust, em frances, é claro).

Num jantar sábado na casa de amigos (cuja dezena de vinhos provados será assunto de um post) o nosso anfitrião, o sempre amável Geoffroy de Sayve, usou um Ovarius para tratar com perfeição um Borgonha.

De fato, como não tem tampa e parece o bule do mad tea party de Alice no País das Maravilhas, o vinho é obrigado a dar umas borbulhadas arejantes e vigorosas. E como o cabo é igualmente de vidro e oco, o vinho gira por ali, aumentando a área de circulação, ou dinamização como dizem os discípulos de Rudolf Steiner.

Gostei, é bonito, é divertido e é um ótimo assunto para table talking mundano em jantares. Mas agora é preciso compará-lo com o velho jarro usado para decantar e ver sua eficácia.

Na foto: Geoffroy de Sayve segura o Chorey-lès-Beaune Catherine et Claude Marechal 2006 já decantado no Ovarius]

Ficou com água na boca?