Paladar

Luiz Horta

Cinco Pacalets alegram muito mais

25 agosto 2011 | 07:16 por Luiz Horta

Um vinho Pacalet alegra muita gente, cinco… e com a presença dele, então! Philippe Pacalet, além de um produtor cult da Borgonha, é um causeur e tanto. Almoçar com ele é um delírio de bom humor. Nas suas visitas ao Brasil (vem a cada 2 anos, com a mulher brasileira, a simpaticíssima Monica) fico dividido entre analisar os vinhos e escutá-lo. Desta vez o tema foi seu tio que morreu ano passado, o mítico Marcel Lapierre, grande vinicultor que salvou a Gamay da fama de medíocre e colocou seu Morgon como um líquido de desejo mundo afora. “Uma vez, no Guy Savoy, em Paris, pedimos um Morgon. O sommelier respondeu com empáfia: ‘Não trabalho com a pequena Borgonha’. Lapierre levantou da mesa e correu atrás dele, como num desenho animado. Foi preciso segurá-lo.” Mas o melhor foi no Noma, que ainda não era o melhor restaurante do mundo. “Comíamos o menu degustação e, quando o tinto foi servido, veio um prato com uma beterraba. Ele não teve dúvida: jogou o tubérculo no chão, pois ia estragar o vinho. Fomos expulsos”, conta, deliciado.

Por sorte não foi preciso nada tão radical em nosso almoço, no D.O.M., onde Philippe se encantou com a manteiga Aviação. Até falou dos vinhos, mas suas fascinações no momento são as jabuticabas (“comi no pé, que árvore curiosa!”) e o português (“da próxima vez conversaremos no seu idioma”, afirma convicto). “Há muita preocupação com terroir na Borgonha, é preciso pensar nas safras. Acho os 2007 parecidos com os Barolos. Prove às cegas e veja. ‘Floral?’ Estudei com Jules Chauvet, grande especialista em leveduras. Ousei falar um ‘aroma de rosa’. Ele me levou ao jardim, onde cultiva dezenas de espécies e disse: ‘Mas qual rosa?’ Cocei a cabeça. Aprendi que as coisas são complexas.”

O Chablis 06 tem grande mineralidade. Gabriela Monteleone, sommelière do D.O.M., captou um aroma de chocolate branco. Acidez elétrica deliciosa. O Gevrey 07 é floral, inclusive na boca. É o que parece Nebbiolo, segundo Pacalet. O Gevrey 08 é mais alegre, acidez mais potente, mais carnudo. “Aqui é a Borgonha, o 07 era a Itália.”. O Gevrey 1ère Cru Lavaux St.Jacques 08 tem fantástica acidez e é, segundo ele, “um grand cru que esqueceram de classificar direito”. O Charmes-Chambertin 2008 Grand Cru, ao contrário, classificado como deve, tem potência e delicadeza, toque de alcaçuz no nariz, um acontecimento de prazer na boca. Pacalet é importado pela World Wine, tel. 3383-7477