Paladar

Luiz Horta

Crepusculares

28 novembro 2008 | 17:22 por admin

O que tem me dado verdadeiro prazer é beber um cálice (taça grande, a maior que tenho, a riedel borgonha, mas com um dedal de vinho lá no fundo, para cheirar mais que beber) de Madeira, Porto, Manzanilla ou um TBA austríaco. Sento na minha cadeira fatal, a espreguiçadeira terminal, da qual é muito difícil querer sair, Frederica no colo, descansando, olhando o jardim, com a chuva caindo. Acho que equivale ao cigarrinho pitado no fim do dia para os fumantes, aquele ponto final na jornada, reorganização de pensamentos, um calibre no centro das idéias…Não existe nada tão complexo pelo preço destes vinhos, especialmente um Madeira Henriques & Henriques Full Rich 5 anos (50 reais!) ou um Lustau Papirusa Manzanilla (85 reais). Porto vou de Tawny Niepoort. TBA é o Kracher, ça va sans dire. É um, gosto ancestral, nasci e cresci em casa com garrafinhas de generosos (no armário mesmo, oxidando infinitamente) que as tias tomavam, com frio ou calor, no meio da tarde. Isto molda uma personalidade!

Este ritual modesto me faz bocejar pensando que tem gente que quer ter um helicóptero, ou algo assim. Tsk, tsk. Como escreveu o Ivan Lessa, a vida não é curta, é perto.

Ficou com água na boca?