Paladar

Luiz Horta

Days of wines and roses

28 de novembro de 2008 | 17h21 por admin

Uma lista de vinhos destes últimos dias, alguns muito bons, outros decepcionantes ou normais. Um Gruner Veltliner Brundlemeyer Kamptaler Terrasen, ainda com muita vida e tipicidade para mostrar, mas já com traços gostosos da uva única austríaca. Depois um Burklin-Wollf Estate, Trocken, 2006, que mesmo com esta palavra trocken no rótulo denunciava na cor amarela e no nariz de botritis um ponto de doçura importante. E delicioso. Mas parece que os alemães sofrerão o mesmo que os alsacianos, o que diz no rótulo pode não coincidir com o que está dentro. O horror dos sommeliers (lembro dos numerozinhos impressos pelo Domaine Zind-Humbrecht, indicando grau de doçura, diante da indefinição da nomenclatura e evitando os atropelos de harmonização.

Dois vinhos do sul da França, meu querido Travers de Marceau de Rimbert e o mais durinho e caladão Remejeanne do Rhone.

E a glória, tanto pela qualidade quanto pelo momento especial. Jacques Trefois, uma das pessoas que respeito e admiro, me apresentou uma taça: “diga o que é isto. Não precisa dizer ano, nada destas coisas, só região…” Cheirei, cheirei, provei, muita fruta madura e escura, ameixas, boa acidez, elegante mas cheio de vólupia. Matei que era do sul, fiquei hesitante entre Languedoc ou Rhône. Não era obviamente Syrah. Achei menos quente que o sulzão, pensei: deve ser do Rhône, mas sul. E era!

Acho que ele ficou orgulhoso de mim. Eu fiquei bem feliz, não pela coisa circense de acertar coisas às cegas, mas por ver que algo venho aprendendo. O vinho era um belo natural, L’Anglore, de Eric Pfifferling. Com uma lagartixona no rótulo. Destes momentos para contar para os netos, eu erraria uns cem em cada 102 vinhos…e este acertei, com testemunhas. Depois explico como fazer o mesmo, é mais lógica que enofilia.

Ficou com água na boca?