Paladar

Luiz Horta

De coisas cabeça

15 maio 2009 | 19:32 por Luiz Horta

A leitora Patricia Valete colocou um comentário no meu post sobre os Bordeaux abaixo de R$100 que achei importante puxar aqui para a visibilidade. Ela escreveu:
“Você fala em “ser objetivo”, mas seus argumentos são “o favorito disparado para mim”, ou seja, objetividade zero. O argumento “com madeira presente, mas boa acidez e muita tipicidade” não satisfaz um leitor/consumidor que necessite de informação mais precisa e descrição de fato objetiva. Os atuais jornalistas “do vinho” do Brasil são realmente pouco objetivos e analíticos…”

Eu respondo:
Objetividade parte sempre de uma subjetividade, um “eu”, que escreve.Recomendo que você leia um livro precioso sobre o vinho e o pensamento lógico, chamado “Questions of Taste: The Philosophy of Wine”, vários autores.

O que você pede é o ideal, apenas é impossível. A análise puramente objetiva de um vinho é só a laboratórial e vai indicar conteúdo de tartárico, açúcar residual e etc,mas não dará conta da experiência humana do prazer de beber um vinho.

Isto não se limita ao jornalismo de vinho brasileiro, vinho é indeterminado como toda forma de fruição, o chamado “gosto” e está incluído, parcialmente, no zeitgeist. Ou seja, tem determinantes sociais extrabebida. É -e sempre será- comentário sobre vinhos e não uma avaliação totalmente isenta de gosto, não sou impessoal, falo do que conheço, com meus sentidos.

A única coisa possível é achar um jornalista cujo gosto pareça com o nosso e, mais ou menos, segui-lo. Eu concordo muito mais com os ingleses que com os americanos, estou mais próximo, em predileção, de Jancis Robinson, Michael Broadbent e Hugh Johnson, entre outros, que de Robert Parker. Parto deste ponto de vista, ele é declarado o tempo todo, nunca pretendi ocultá-lo, aqui neste espaço de um amante dos vinhos. Mas é um assunto interessante o que você propõe, embora fuja do tamanho e ideia de um blog, que é sim, opinativo, por isto mesmo assinado.

Sugiro que entre em foros na internet, onde o tema está mais presente, Jamie Goode por exemplo, está justamente discutindo com relevância e profundidade sobre os limites, conceitos e preconceitos da crítica de vinhos atual.

Ficou com água na boca?