Paladar

Luiz Horta

Decepções e surpresas

03 maio 2009 | 03:47 por Luiz Horta

O que anda acontecendo com os vinhos Pizzatto? Uns anos atrás, provei com um respeitável nome da crítica de vinhos internacional e um respeitável nome do jornalismo nacional o Chardonnay Pizzato. Era ótimo, sem madeira, excelente acidez, delicioso e barato. Se não me engano era um 2003. Depois o mesmo vinho, da safra 2006, bebido no Dalva e Dito era flat, achatado, desprovido das graças da frescura, pesadão.

Hoje comprei um Alicante Bouschet da empresa. Achei engraçado uma uva tão secundária dar um varietal, coisa que pode ser boa no Brasil. Mas não era. Era um vinho linear, totalmente inexpressivo.

Em compensação, por irrisórios 19 reais, num supermercado chamado (nome de circo de mágicas) Grande Muffato, com um gritante rótulo de Romero Britto e tudo, TUDO, para ser um fiasco, um Gamay Miolo. Fresco, menos eloquente que eu esperava, mas por este preço! Gostoso, promissor. É apenas o primeiro ano da consultoria do beaujolense Henry Marionette. Quando os vinhedos ficarem mais consistentes, vai ser um bom vinho nacional, ligeiro, fresco e barato. Exatamente a área onde o vinho brasileiro deveria pegar pesado. No preço, na ligeireza, no consumo despreocupado. Por que o vinho daqui não se ocupa de ser fluido e comprável? Em lugar de tentar emular grandes vinhos, que não são um projeto consciente, mas um acontecimento geográfico e histórico?

Ficou com água na boca?

A uva Gamay, três decádas atrás, com a Cabernet Franc, parecia uma das boas expressões de um nascente terroir brasileiro. Foram quase abandonadas em nome dos “grandes vinhos” que, sinceramente, ainda não justificaram tamanha expectaviva. Não seria esta volta da Miolo a uma boa Gamay tratada a sério, uma nova via do produto local? Boto fé.