Paladar

Luiz Horta

Deguste olhando o mapa

28 fevereiro 2013 | 01:20 por Luiz Horta

Um escritor chileno do século passado, Benjamín Subercaseaux, definia a paisagem do país em um título de livro saboroso: Chile, ou uma Geografia Louca. Tem deserto no norte e geleira no sul; pouco mais de cem quilômetros separam os Andes do Pacífico; e há vinícolas no perímetro urbano da capital, às quais se chega de metrô. Em clima tão variado e espaço tão pequeno, sobram terroirs. O Chile é invencível em possibilidades para vinhos.

Quando uma grande empresa como a Undurraga decide explorar tal potencial é um acontecimento, aula de variedades de uvas e de solos diferentes. Conheci a série T. H. (T. H. são as inicias de terroir hunter, mais ou menos, caçador de terroirs) em uma visita dois anos atrás, apresentada pelo jovem enólogo Rafael Urrejola, que tem a assessoria do onipresente Pedro Parra, o mister terroir da América do Sul. O projeto começou em 2007 e hoje envolve 35 microrregiões. Naquela degustação só conheci três vinhos – um Pinot excelente e dois brancos.

Agora, com a importação da linha completa pela Abflug (tel. 2306-7959) comparei 10 vinhos dos 12 existentes (R$ 110 cada garrafa, independentemente da casta ou safra). Confirmei algumas predileções e tive boas surpresas. São seis regiões: West Limarí (Chardonnay), Casablanca (Pinot e Sauvignon), Maipo (Cabernet e Syrah), Lo Abarca (Sauvignon e Riesling), Leyda (Sauvignon e Pinot) e Maule (Carignan). É notável a diferença, por exemplo, entre os três Sauvignons Blancs ou os dois Pinots Noirs, uma pequena aula de influências de clima sobre vinhos. Pela qualidade, não são caros. Recomendo comprar todos entre amigos e repetir a prova, olhando no mapa e entendendo a decisiva presença dos ventos frios do oceano no maravilhoso Riesling e nos ótimos Pinots, ou da altitude e amplitude térmica de Maule no suculento Carignan.

Viagem engarrafada
– Parada nº 59/100, Chile
– Carignan, Riesling e outras
Uma só vinícola e um enólogo dão aula de geografia do vinho chileno em série de garrafas

Sauvignon Blanc Leyda 2010 – Muito Bom
Nada tropical, sério, austero, um SB de outra dimensão. Delicioso de beber, mas com complexidade e corpo. Impressionou.

Carignan Maule 2009 – Muito Bom
Nariz floral de violetas, toque de alcatrão. Equilibrado na boca, fino, taninos em evolução, acidez matadora de sede.

Pinot Noir Leyda 2009 – Muito Bom
Expressivo, carnudo e sanguinolento. Boa acidez, corpo delicado, elegante, suculento e com taninos finos. Muito típico da casta.

Riesling Lo Abarca 2010 – Muito Bom
Nariz puro e típico da casta. Límpido, bom corpo, ótima acidez mineral, equilibrado e longo, com potencial de guarda

>> Veja todas as notícias da edição do Paladar de 28/2/2013

Tags:

Ficou com água na boca?